— Amor, quero tomar sopa.
Serena virou-se para Xavier, fazendo um biquinho manhoso para ele, e estendeu-lhe a concha.
Xavier sabia que Serena e sua mãe estavam se enfrentando novamente, mas ainda assim adorava quando Serena precisava dele e agia de forma mimada.
— Claro.
Ele pegou a concha, pegou a tigela dela e, de propósito, contornou a mesa, ignorando o rosto lívido de sua mãe, para servir uma tigela de sopa para Serena.
— Beba devagar.
Serena tomou um gole e fez uma expressão exagerada.
— Nossa, que delícia! Mas o principal é que foi você quem me serviu, amor. Por isso, esta sopa está cheia do seu carinho por mim. É isso que a deixa tão gostosa.
— Quando terminar, eu sirvo mais.
— Quero comer o marisco.
Wilma havia colocado o prato de mariscos intencionalmente na frente de Ângela, então Xavier teve que se levantar para alcançá-lo.
Vendo a cena, Ângela não teve escolha a não ser empurrar o prato para perto deles, sentindo a inveja corroê-la por dentro.
Serena provou um pedaço, achou que não estava bom e o jogou na tigela de Xavier.
Xavier pegou o pedaço e o comeu, com uma expressão de felicidade e satisfação.
— Quero comer a carne.
Serena parou de se servir. Tudo o que queria comer, bastava dizer, e Xavier imediatamente colocava em sua tigela. Se ela quisesse, ele até a alimentaria na boca.
— O que mais você quer?
— Quero comer camarão, mas não quero descascar.
— Eu descasco para você.
Xavier pegou vários camarões, colocou-os em seu próprio prato, descascou um por um e os transferiu para a tigela de Serena.
Enquanto comia, Serena elogiava a habilidade de Xavier, dizendo como ele descascava os camarões de forma tão perfeita.
— Não me importo com ex-namorado nenhum. Só me importo com a Ângela e com o bebê na barriga dela — disse Wilma.
— Mãe, que bom que a senhora é tão compreensiva. Agradeço em nome da Ângela. Mas ainda preciso defendê-la: ela realmente não queria ser a amante, nem destruir a família de ninguém. Para mim, a Ângela é como uma florzinha de pureza, santa e imaculada, jamais faria algo tão descarado.
— Já chega, já entendi — Wilma disse, franzindo a testa.
— Ah, é que eu me preocupo muito com a Ângela. Vocês não sabem o quanto ela amava o Alan naquela época, o quanto se sacrificou por ele.
— Serena, não vamos mais falar do passado — disse Ângela, começando a entrar em pânico.
— Eu vou falar, sim! Estou apenas defendendo você! Naquela época, para ficar com o Alan, você se mudou do nosso dormitório e alugou um quartinho num beco antigo perto da faculdade. Fui te visitar uma vez, e vocês dois, por não terem dinheiro, dividiam o mesmo travesseiro e um cobertor de solteiro. Era um cômodo minúsculo, sem nem uma varanda. Vocês não tinham onde secar as roupas, sua calcinha ficava pendurada junto com a cueca dele...
— Serena!
— E isso não é nada! Naquela época, para sustentá-lo, você até foi trabalhar como hostess num bar. Vivia sendo apalpada por aqueles bêbados. Teve uma vez que um velho nojento te seguiu, te arrastou para o beco e quase...
— Cale a boca! — Ângela se levantou de um salto, esbarrando na mesa. Com o barulho, os pratos e copos tremeram.
Ronaldo tinha acabado de se servir de um copo de cachaça. Com o solavanco, o copo virou, e a bebida derramou em sua perna.

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