Serena nunca tinha visto Felipe daquele jeito: o rosto pálido, o olhar perdido, como se fosse se despedaçar a qualquer momento.
Sem pensar duas vezes, ela correu e o abraçou com força.
— Marido, você...
Ele não a esperava e, por instinto, a empurrou de leve.
— Sou eu, eu... estou com tanto medo!
A mão com que Felipe a empurrara de repente a agarrou, com tanta força que doeu. Mas ela não disse nada sobre a dor, apenas que estava assustada.
Ele então a abraçou, dando tapinhas suaves em suas costas.
— Está tudo bem. Foi só um carro que bateu na porta de emergência, não foi um trovão.
Serena franziu os lábios. Então ele tinha medo de trovões?
Ela se lembrou de quando ele estava voltando para a cidade de carro e um ônibus bateu em seu veículo, jogando-o da ponte. Para salvar uma criança, ele foi levado pela correnteza. Aquele também era um dia de tempestade. Perdido na floresta, ele devia ter sentido muito medo.
Mas ele nunca havia mencionado isso; foi apenas por acaso que ela descobriu. E o motivo do medo de trovões, ela imaginou, talvez fosse porque o dia em que Vivian se acidentou também era um dia de tempestade.
De volta ao carro, Serena fingiu estar com medo e insistiu em sentar em seu colo, aninhando-se em seus braços, pedindo beijos com um olhar pidão e provocando-o de propósito.
Felipe, já sem paciência, a pressionou contra o assento e a beijou ferozmente.
— Ainda está com medo? — ele perguntou, achando graça.
Serena respondeu com uma voz manhosa e afetada:
— Eu sou medrosa por natureza, especialmente de trovões. Então, sempre que houver uma tempestade, você tem que estar ao meu lado, me abraçando e me beijando.
Felipe suspirou.
— Fale direito.
— Eu...
— Se não falar direito, hoje à noite você está proibida de subir na minha cama!
— Chato!
No caminho de volta, Felipe dirigia enquanto Serena, no banco do passageiro, o observava discretamente de vez em quando. Ele não fazia ideia do quanto seu coração doía por ele naquele momento.
— O jeito que você me olha está muito estranho — disse Felipe, semicerrando os olhos.
— Eu estou...
— Eu... eu estava procurando o meu irmão.
— Onde está seu irmão? Eu não pedi para ele ficar de olho em você?
A mulher olhou em volta apressadamente e, ao ver o filho escondido atrás de uma árvore, gritou para ele.
O menino se aproximou timidamente e, antes mesmo de parar, levou um chute da mãe.
— Eu mandei você cuidar da sua irmã! O que você estava fazendo?
— Eu... eu vi um cachorrinho muito fofo e fui brincar com ele. Esqueci da minha irmã. — O menino também começou a chorar. — Desculpa, mamãe, eu errei.
— O cachorro é mais importante que a sua irmã?
— ...
— Se alguma coisa tivesse acontecido com a sua irmã agora, eu... eu quero ver o que você faria!
Serena instintivamente olhou para Felipe. Ele franziu a testa, claramente fazendo uma associação com o incidente de vinte anos atrás.
Serena correu até a mulher e pediu que ela não culpasse o menino.
— Ele é apenas uma criança, que culpa ele poderia ter?

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