— Querida, veja a surpresa que o vovô preparou para você.
— Um cavalo de balanço?
— Gostou?
— Vovô, eu já tenho vinte e sete anos, não sou mais criança!
— Apenas vinte e sete, claro que ainda é uma criança!
— Vovô!
— De qualquer forma, para o vovô, a minha querida será sempre um bebê.
Do jardim dos fundos vinha uma conversa afetuosa. Serena deu alguns passos e, através de um arbusto, viu Nicolas e Ofélia um pouco mais adiante.
Nicolas era uma lenda no mundo dos negócios. Ele assumiu a empresa da geração de seu pai, quando a Família Branco possuía apenas duas lojas de departamento. A partir daí, ele iniciou uma reforma drástica, modernizando e acompanhando a onda econômica, transformando as duas lojas de departamento de baixo custo em estabelecimentos de luxo, que se tornaram marcos da Cidade Lumia.
Depois, ele começou a expandir nacionalmente e, em vinte anos, espalhou as lojas do Grupo Branco por todo o país, construindo o império que era hoje.
Em público, ele era decidido e imponente, com todo o porte de um empresário da velha guarda. Em casa, no entanto, ele era assim. Vestindo um avental, com uma ferramenta de entalhe na mão, ele dava os retoques finais no cavalo de madeira e, ansiosamente, pedia para a neta experimentar.
Ofélia fez um bico.
— Se alguém vir isso, vai rir de mim!
— Quero ver quem se atreve! — disse Nicolas, com uma expressão deliberadamente severa.
Ofélia riu e sentou-se no cavalo de balanço, esculpido de acordo com seu tamanho. Ela segurou as rédeas e balançou-o de leve.
— Ah!
O cavalo inclinou-se para a frente, e ela gritou de susto, mas ele era estável e logo voltou à posição original.
Balançando para frente e para trás algumas vezes, ela começou a rir.
— É divertido?
— É, mas por que o cavalinho tem um chifre na cabeça?
— Este é um pégaso.
— Parece mais uma maçaneta.
— Então tente abrir.

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