Na manhã seguinte, Serena foi à clínica do Doutor Sênior.
De longe, viu uma mulher de meia-idade gritando em frente ao local:
— Que Doutor Sênior de prestígio, o quê! Você não passa de um charlatão assassino! Minha mãe ainda está no hospital e, se acontecer alguma coisa com ela, eu quebro essa sua clínica inteira!
A porta da clínica estava fechada e só se abriu uma fresta um bom tempo depois. O velho espiou para se certificar de que a mulher tinha ido embora e só então abriu a porta completamente.
— Quer saber o que é uma megera? É aquilo ali! — disse o velho, alisando a barba, com uma expressão de quem estava resignado, mas não queria confusão.
O canto da boca de Serena tremeu. Ela entrou na clínica com o Doutor Sênior.
— Vou passar no Grupo Glória daqui a pouco e aproveitei para vir aqui. O senhor tem algo que queira que eu leve para o Sr. Costa? — Serena perguntou, tentando soar casual.
Ela achava aquele homem bonito da outra noite estranhamente familiar. Não se lembrou na hora, mas depois caiu a ficha: era o homem que ela havia encontrado naquela mesma clínica.
Aquilo só podia ser o destino, e ela precisava aproveitar essa oportunidade.
O velho fez um som de surpresa.
— Não tenho nada para mandar para ele.
— Os remédios dele devem estar acabando. O senhor poderia prescrever mais alguns, e eu levo para ele.
— Ele não precisa tomar remédios — Ele nem estava doente.
Serena ponderou. Não precisava de remédios? Seria um caso perdido?
— Ou talvez o senhor precise dar alguma recomendação a ele?
— Não tenho nenhuma recomendação.
Serena franziu a testa. Como aquele velho podia ser tão lerdo?
— No outro dia, ele não me pareceu muito bem. Será que está sem energia ou com o corpo fraco? — Ela decidiu dar uma dica mais clara.
— Ele está um pouco fraco, sim — disse o velho, lembrando-se de algo. — Realmente precisa de um reforço. Espere um pouco.
Após um momento, o velho voltou, entregando uma sacola para Serena.
Ela espiou lá dentro e quase largou a sacola de susto.
Havia um cágado já limpo, com a cabeça virada para cima, encarando quem quer que olhasse...
— Então, se eu for ao Grupo Glória como gerente de projetos do Sol Dourado, provavelmente nem consigo passar da porta?
— Não é provável, é certeza.
Serena olhou para o cágado no banco de trás. Então, parecia que não havia outra maneira.
Meia hora depois, ela estacionou o carro e se dirigiu à recepção da Torre Glória.
— Vim ver o Diretor Felipe Costa.
A recepcionista foi muito educada.
— A senhora tem hora marcada?
— Não.
— Sinto muito, mas a senhora não pode ver o Diretor Costa.
— Eu tenho algo para entregar a ele — Serena disse, levantando a sacola para que a recepcionista visse. — Pode ligar para ele. Vim a pedido do Dr. Barbosa.

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