— Sabia que era você!
Serena apareceu, bloqueando o caminho de Ofélia. Ao vê-la, Ofélia virou-se imediatamente, culpada.
— Acredito que se não estivesse sem saída, você não viria aqui.
Essa frase fez Ofélia parar. Ela hesitou por um momento e virou-se para encarar Serena. Escondeu a culpa e encheu o rosto e os olhos de ódio, como se sua situação atual fosse toda culpa de Serena.
— Pelo jeito, o Rogério não te deu vantagem nenhuma. Você também foi muito estúpida em colaborar com ele.
— Eu não ganhei nada, mas você também perdeu!
Serena riu.
— O que eu perdi?
— O Felipe foi expulso do Grupo Glória, ele não pode mais ser seu protetor!
— Ah, é assim que você se consola? Por que eu precisaria dele como protetor? Eu não posso ser minha própria proteção? Me falta dinheiro? Tenho metade das ações da Sol Dourado! Me falta poder? Basta eu acenar com a cabeça e serei a herdeira da Família Branco, o Grupo Branco será meu!
— Eu sou a herdeira da Família Branco!
— Você quer esse título? Tudo bem, eu te dou.
— Serena!
— O quê? Você também se acha ridícula agora?
— Você!
— Como você me chamava mesmo? Bastarda? Pobretona? Pé-rapado? Agora devolvo tudo isso a você. — Serena deu um passo à frente, olhando para Ofélia com escárnio. — Você, Ofélia, é que é a bastarda, a pobretona, a pé-rapado! Ah, vou adicionar mais um: idiota!
Ofélia enlouqueceu de raiva, gritou e avançou sobre Serena sem pensar nas consequências.
— Serena, vou te levar pro inferno comigo!
— Papai, senti tanta saudade do senhor e do vovô esses dias.
No topo da escada, Ofélia se jogou nos braços de Fidel. Ele rangeu os dentes várias vezes, mas no fim não teve coragem de empurrá-la. E assim, Serena assistiu à cena do abraço entre pai e filha, com lágrimas e emoção.
Naquele momento, além da frieza no coração, Serena achou graça. Mas, dessa vez, ria de si mesma. Ela chegou a pensar que seu peso no coração de Fidel era maior que o de Ofélia, que Fidel já era o pai só dela, que entre ela e Ofélia, Fidel a escolheria sem hesitar.
Porque ela era a filha biológica de Fidel, afinal. Esse motivo não era suficiente?
Agora via que esse motivo não se sustentava. O sangue não pesava mais que vinte e tantos anos de afeto paternal, mesmo que esse afeto tivesse sofrido abalos. Ainda assim, não era algo que ela, a filha biológica, pudesse igualar.
Fidel era assim, e Nicolas Branco mais ainda.
Fidel finalmente a viu e seu rosto se encheu de culpa e remorso. Ele apressou-se em empurrar Ofélia, planejando descer as escadas para ajudá-la, mas Serena levantou-se antes que ele chegasse.
Cair de uma escada tão alta doía, é claro. Na verdade, doía tanto que ela suava frio na testa, mas ainda assim encarou Fidel com teimosia, com frieza e rejeição evidentes em seu olhar.

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