Isabella
O grito ecoou no banheiro. A neblina formada pelo vapor da água quente embaçava minha visão junto com as lágrimas. Meus socos se tornavam cada vez mais fortes, sentia o sangue escorrer junto com a água, mas nada importava. A cada golpe, a lembrança de Kaelen se intensificava — seus toques, suas palavras...
"Vou fazê-la minha, princesa."
Sua boca na minha, me obrigando a sentir sua língua, seu gosto amargo...
— Aaahh, eu te odeio! — bradei, golpeando com mais força. Recordar o que ele fez — e o que poderia ter feito se Logan e os outros não tivessem aparecido — me consumia por dentro.
Não ouvi quando a porta se abriu. Só percebi quando braços me envolveram pela cintura. Por instinto, me virei e comecei a desferir socos, acertando um forte no peito da pessoa, que foi lançada contra a parede. Ártemis estava em alerta, cega de fúria como eu. Minha respiração estava ofegante, minhas garras e presas expostas.
Então, quando levantei os olhos, mesmo com os cabelos molhados grudando em meu rosto, vi quem era.
— Logan? — Minha voz se misturou à de Ártemis. Meus olhos encontraram os dele, e o que vi ali me desmontou. Havia dor em seu olhar... e marcas em seu corpo. Seu rosto estava ferido, o sangue escorria das lacerações. Eu tinha feito isso com ele...
Senti Ártemis recuar e, envergonhada, abaixei a cabeça, sussurrando:
— Me desculpe...
As lágrimas voltaram a cair. Percebi que ele hesitou por um instante, incerto se podia se aproximar. Quando ergui os olhos para encará-lo novamente, vi que ele também chorava.
Me joguei em seus braços, me agarrei a ele, mostrando que precisava dele ali, que o queria ali.
— Desculpe, meu amor. Eu não queria te machucar. — Minha voz saía entre soluços, mas eu precisava que ele soubesse. — Eu te amo tanto... Senti tanto sua falta.
Seus braços fortes me envolveram, e senti seus beijos em meus cabelos, em meu rosto.
— Você é minha vida, Isabella. — Sua voz soou em meu ouvido.
Me afastei apenas o suficiente para encará-lo. Fiquei alguns instantes perdida naquele oceano azul que eram seus olhos — os únicos que sempre me traziam a paz que eu precisava.
Logan me ajudou a me lavar, jogando gentilmente água sobre meus ferimentos. Permiti que a água levasse não apenas a sujeira do meu corpo, mas também um pouco do peso que eu carregava na alma.
Eu estava quebrada. Sentia isso.
Mas também sentia a força que emanava de Logan.
Ficamos ali por um tempo, sem dizer uma palavra. Ele não me forçava a nada, apenas me dava espaço, me dava tempo. E eu amava isso nele.
Quando saí do banheiro, percebi que o quarto estava vazio.
— Suas roupas estão na cama. Trouxe algo para você comer. — Sua voz era suave, mas havia um leve tremor nela.
— Obrigada, mas não sei se consigo comer agora. — Logan franziu a testa, mas apenas assentiu.
Via a dificuldade dele em se comunicar comigo, como se não soubesse o que dizer ou como agir. Como se temesse que eu surtasse novamente.
— Quer que eu te ajude a se vestir?
Assenti. Se meus pulsos já doíam antes, agora estavam ainda piores...
— Leonardo está esperando apenas minha autorização para vir te examinar. — Ele disse enquanto me ajudava a vestir as roupas.
— Estou pronta. Talvez um analgésico me ajude com a dor.
Ele assentiu novamente, cobrindo minhas pernas com cuidado. Assim que terminou, ouvimos uma batida na porta. Logo depois, Leonardo entrou, seguido por minha mãe e meu pai.
Leonardo me fez algumas perguntas. Respondi no automático, com palavras curtas. Sim. Não. Nada além do necessário.
Vi que isso incomodava Logan de alguma forma, mas ele se recusava a me contrariar.
— Vou deixar algumas medicações para ajudar sua loba a concluir a cura. — Leonardo disse, oferecendo um sorriso encorajador.
— Você já examinou Megan e Ethan? — Perguntei, olhando para ele.
Mas antes que Leonardo pudesse responder, a resposta veio de outra forma.
Um rugido de Logan.
— Sim, assim que cheguei. Ajax me levou até eles.
— E como estão? — Perguntei logo em seguida.
— Ethan é um Lycan, já está praticamente curado. Megan é uma Alfa, ficará bem em breve. — Leonardo respondeu com sua calma habitual.
— Obrigada, Leonardo.
Ele acenou, cumprimentou os outros e saiu logo após dar as últimas instruções, se colocando à disposição caso necessário.
— Querida, tem certeza de que não quer tentar comer? — Minha mãe perguntou, sentando-se ao meu lado, enquanto meu pai ocupava o outro.
— Obrigada, mas não estou com fome.
Minha mãe suspirou, mas não insistiu. Meus pais ficaram ali comigo por um tempo. Quando Liam anunciou que o jantar estava pronto, convidou-os a se juntar aos demais. Ambos me beijaram e saíram logo em seguida.
— Pode descer se quiser. — Falei para Logan.

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