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Filha da Lua: Entre Lobos e Alfas romance Capítulo 103

Isabella

Achei que, por ter conseguido dormir ao lado de Logan, meus medos haviam desaparecido. Mas me enganei. Quando senti sua leve mordida, a lembrança de Kaelen se impôs de forma brutal — a dor, a repulsa, o pavor daquele momento pareciam se transportar para o agora, mesmo ao lado de Logan. Isso mexeu com meu Alfa de tal maneira que Orion me revelou suas emoções e suas dores.

Eu o chamei, mas ele decidiu seguir para o banheiro sem me responder. Ouvi os murros na parede — cada soco que ele dava fazia meu corpo reagir do lado de fora. Eu queria entrar, me desculpar, abraçá-lo... Mas a voz de Ártemis me impediu:

— Ele precisa disso, Bella...

Por mais que doesse saber que ele estava machucado, decidi ouvir minha loba.

Fui até ele quando saiu e vi sua mão ferida. Mais uma vez, ele disse que estava tudo bem e me afastou, dizendo que buscaria meu café.

Assim que Logan saiu, senti uma presença na porta. Havia alguém caminhando de um lado para o outro, hesitando em bater. Eu sabia que era Lexa.

Nós duas ainda não tínhamos tido a oportunidade de nos conhecer formalmente, de conversar como futuras cunhadas. A lembrança das palavras de Logan ecoou na minha mente: "Minha futura luna." Era isso que eu era para o meu Alfa — sua futura Luna — e não deixaria que nenhum trauma me impedisse disso.

Abri a porta e me deparei com a versão feminina do meu Alfa, o que me arrancou um sorriso.

— Não confio muito nesse assoalho — falei de forma divertida, recebendo um olhar confuso em troca.

— Andando de um lado para o outro desse jeito — apontei para o chão —, pode acabar abrindo um buraco.

Ela me deu um sorriso tímido ao entender o que eu quis dizer.

— Me desculpe... — Sua voz carregava um desconforto palpável, como se sentisse culpa por estar ali. Peguei suas mãos. Ela se enrijeceu no primeiro toque, mas mantive nossas mãos entrelaçadas.

— Quer entrar? — Ela assentiu, e seguimos para o quarto de Logan.

Sentei-me na cama e fiz sinal para que ela fizesse o mesmo.

— Está se sentindo melhor? — perguntou, mas mantinha a cabeça baixa, o que começou a me preocupar. Era como se se sentisse inferior a mim, como se não tivesse o direito de se expressar.

— Os remédios de Leonardo foram muito bons. Meus pulsos ainda doem, mas as marcas da magia... — Olhei para o próprio corpo antes de voltar o olhar para ela. — Já estão praticamente curadas.

— Fico feliz em ouvir isso. Meu irmão sentiu muito a sua falta... — Ela suspirou antes de continuar. — E a sua dor.

Eu sabia o que ela queria dizer. A saudade que sentia do meu Alfa era impossível de colocar em palavras. E a dor que eu não consegui evitar que ele sentisse... essa me dilacerava.

— Ser companheiros é uma bênção... mas não poder evitar que eles sofram é uma maldição — murmurei, a voz embargada pela lembrança da dor que vi nos olhos de Logan minutos atrás.

— Tudo isso é muito novo para mim. Eu nem sabia que essa coisa de companheiros existia. — Ela deu um sorriso sem humor. — Mas Gabriel tem sido paciente comigo de uma forma que nunca achei possível.

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