Isabella
Uma inquietação me invadiu antes da luta. Para mim, não era apenas um simples treino — de certa forma, era uma oportunidade de me reconectar com Logan. E isso mexia comigo de maneiras diferentes. Quando ganhei a luta, ele disse:
— Você já me tem, Isabella. Sempre teve.
Naquele instante, percebi que Ártemis havia revelado minhas emoções e pensamentos a ele. Mas, antes que eu pudesse responder, Dandara anunciou nossa vitória, e as meninas correram até mim para comemorar. Logan ficou por perto. Eu estava feliz por vencer, mas ainda mais por sentir que, aos poucos, estávamos nos entendendo novamente.
Sua voz interrompeu minha comemoração quando o ouvi insinuar para os outros que eu ganhei por ser “a mulher dele”, como se tivesse me feito um favor. A fúria me tomou por completo — eu queria levá-lo de volta ao tatame.
Antes que eu pudesse fazer algo, Ravena chamou nossa atenção. Tentei me afastar daquele Alfa antes de perder o controle e enfiar minhas garras nele. Mas ele foi mais rápido, segurou-me e encostou minhas costas em seu peito. No começo, tentei me soltar, mas sua mão deslizou até minha barriga, e o toque me fez relaxar.
Ravena elogiou a todos, inclusive a mim e às meninas. Já estava me acostumando com ela me chamando de filha; aquilo já não me incomodava mais. Mas o que ela disse a seguir foi o que realmente me desestabilizou:
— O Alfa Olavo e sua família sofreram um ataque brutal e cruel.
Assim que Ravena terminou de falar, corri para casa. Precisava de mais informações. Algo estava errado, havia algo a mais nesse ataque.
Eu podia ouvir Logan me chamando, mas, por mais que eu o amasse e estivesse feliz por estarmos nos acertando, eu precisava correr.
— Jake está lá, Bella. — A voz de Melissa soou em nossa conexão conjunta.
Naquele momento, percebi que não era só Mel que me acompanhava. Meg e Lele estavam conosco também.
— Ainda não temos todas as informações, Mel. Vamos confiar na Deusa. — A voz de Meg era firme, como se realmente acreditasse que tudo não passava de um susto.
— Seja qual for a notícia, meninas, estamos com vocês. — A voz doce de Lele trouxe a paz que precisávamos naquele momento.
Assim que chegamos em casa, corri para o meu quarto. Precisava do celular para ligar para Eduardo ou Jacob. Se estivessem feridos, não conseguiriam aceitar um link.
Entrei no quarto, seguida pelas minhas amigas. Minha mãe e Rosa vieram logo depois. Ela parecia destruída, e naquele instante, eu soube: não foi apenas brutal e cruel… foi destrutivo.
— Bella… — A voz dela estava embargada pelas lágrimas, cheia de dor.
— Mamãe, onde está o papai? O que aconteceu com o Alfa Olavo? — Minhas perguntas saíram em um tom urgente.
— Sinto muito, querida… — Ela se aproximou de mim.
— RESPONDA MINHA PERGUNTA! — Gritei, desesperada.
— Pequena Bella, entendo sua dor, mas lembre-se do estado de sua mãe. — A voz de Rosa me trouxe, por um momento, de volta à realidade. Minha mãe estava grávida do meu irmão — não podia descontar nela minha frustração.
— Por favor… — Minha voz saiu como um sussurro, mas ela ouviu.
— Querida, Jake foi gravemente ferido e… — Antes que terminasse, Melissa a interrompeu.
— Não, não, Luna… Por favor… Não o nosso Jacob! — Melissa começou a chorar desesperadamente. Meg foi até ela, abraçando-a na tentativa de acalmá-la.
Minha mãe se aproximou de mim. Eu ainda tentava digerir as palavras sobre Jake. Senti sua mão em meu rosto, e uma lágrima escorreu antes de ela dizer:
— E… Eduardo se foi, querida…
Suas palavras vieram como adagas em meu coração. A dor era quase palpável. Me afastei dela — o sofrimento era insuportável. Levei a mão ao peito e senti Lexa segurar meu braço.
Um rugido saiu da minha garganta — forte, carregado de dor, impotência e arrependimento. Pedi que Ártemis assumisse, e ela atendeu, pulando da sacada numa velocidade impressionante. Corremos para a floresta, em direção à alcateia de Eduardo. Eu precisava vê-lo. Tudo aquilo só podia ser um engano. Não podia ser verdade.
Sentia minhas lágrimas molhando o pelo de Ártemis enquanto ela choramingava em minha mente.
Eduardo era mais que um amigo. Ele foi meu primeiro amor, a primeira pessoa que fez meu coração disparar, minhas mãos suarem. Era engraçado, protetor, leal. A lembrança do seu cheiro mentolado, dos cabelos castanhos e dos olhos castanhos quase negros me invadiu.
Soltei mais um grito de desespero, mas, com Ártemis no controle, o som ficou preso dentro de mim. O vento bateu no pelo da minha loba e, com ele, a voz dele ecoou em minha mente:
— Vou estar com você para sempre, Bella…
Sua voz era um sussurro suave em minha mente, e, naquele momento, Ártemis e eu uivamos juntas — um lamento de pura dor e perda.
— Ed... — Chamei pela conexão, mas recebi apenas o vazio. Soltamos mais um uivo, e dessa vez, não havia apenas dor. Ele era poderoso, carregava uma centelha de comando, como se algo dentro de mim clamasse por alguém ou por algo. Assim que meu uivo cessou, ouvi três uivos em resposta, ecoando próximos a mim. Nesse instante, entendi: eu precisava delas, das minhas amigas. Do meu bando.
Senti-as se aproximarem rapidamente. Melissa — ou melhor, Aurora, sua imponente loba cinzenta — tocou seu focinho em meu pescoço em um gesto de conforto. Hadria e Diana vieram logo em seguida, e por alguns minutos permaneci ali, amparada por elas.
— Amor, eu sinto muito por Eduardo... — A voz de Logan atravessou a conexão, interrompendo aquele momento. Eu não consegui responder, apenas soltei um suspiro pesado.
— Estamos indo até Alfa Olavo, por favor, me espere aí. Chegaremos em alguns minutos. — Respondi com um simples ok. Expliquei a situação para as meninas, e ficamos ali. Podia ouvir Melissa choramingar — não era só a minha dor. Ela também havia perdido um amigo, e, para ela, a morte sempre deixava cicatrizes profundas, ainda mais por ter perdido os pais.

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