Isabella
...
— Meu tempo aqui acabou. Se eu permanecer, causarei danos permanentes à sua mente. — Antes que eu pudesse responder, Morgana começou a flutuar. Seus cabelos dançavam ao seu redor. Era a coisa mais linda que eu já havia visto.
— Terá que continuar sozinha. Siga o rio, Isabella. Lá encontrará ajuda! — Com um simples movimento das mãos, ela desapareceu.
Os tremores ficaram mais fortes, mais intensos. Ártemis veio ao meu lado e fez um gesto para que eu subisse nela. Rapidamente obedeci. Começamos a correr e, toda vez que olhava para trás, via tudo se desfazendo, a escuridão nos engolindo.
— Ártemis, o que está acontecendo? — O desespero transbordava na minha voz.
— A magia está nos consumindo. Esse era o objetivo dela desde o início. — Havia tristeza em sua resposta.
— Lupus Tabescit. — Murmurei. Aquelas palavras... Era o feitiço que Kaelen havia lançado. Aquele que fazia o lobo morrer lentamente. E já estava acontecendo. Se eu não saísse dali rápido, seria consumida. Falharia com todos que amo.
— Siga o rio, Isabella! — A voz de Morgana reverberou pelo ambiente.
— Vamos, Ártemis! Não vamos morrer aqui! — Minha loba assentiu, e corremos. Foi então que percebi um movimento no rio.
E quando olhei, vi...
— Pai! — Gritei, desesperada.
Ele estava se transformando em seu lobo. Um homem que se parecia com o tio Hélio segurava um bebê. Max surgiu em um pequeno barco. Eu precisava chegar até lá.
Desci de Ártemis e comecei a correr em direção ao rio. Ela me chamou, mas eu não parei.
Ravena me contou... Foi nesse dia que meu pai foi até Nox. Foi nesse dia que Atlas o matou.
Se eu o impedir...
— Isabella! — A voz de Ártemis me seguia, mas eu não queria olhar para trás.
Lembrei do meu pai sorrindo para mim naquela imagem. Talvez tudo tivesse sido diferente se Atlas não o tivesse matado.
Eu odiava Atlas. Odiava meu avô Alexander. Eles me tiraram a pessoa mais importante da minha vida.
Uma energia dentro de mim despertava, algo que estivera adormecido.
Acelerei os passos. Precisava chegar lá o mais rápido possível.
Foi então que ouvi passos ao meu lado.
Me escondi atrás das árvores.
— Papai... — A voz infantil veio num sussurro.
Um vento forte passou por nós, e aquilo, de alguma forma, me travou.
A menina se virou, mas tropeçou em uma raiz e caiu de joelhos.
Senti sua dor.
Quando olhei para os meus joelhos arranhados, a lembrança me atingiu.
Esse era o dia que me perdi na floresta.
Tentei me aproximar da pequena Isabella, mas ela falava com alguém. Provavelmente Ártemis. Foi nesse dia que ela falou comigo pela primeira vez.
A pequena começou a correr, e eu a segui.
No rio, o barco do meu pai ainda seguia para Nox.
A pequena trombou em algo. Ou melhor, em alguém.
E quando meus olhos reconheceram quem era...
Meu coração parou.
— Logan... — Ele se virou para mim, e nossos olhos se encontraram. A pequena Isabella correu seguindo o rio. Meu pai continuava em direção a Nox. E Logan... ainda estava ali, seus olhos vidrados nos meus.
Um vento forte e impetuoso tomou conta do lugar, mas ele não se mexia. Ártemis se aproximou, e quando olhei para o rio, vi meu pai já na beirada. Hélio partiria, e Atlas o mataria.
A raiva me dominou novamente. Eu tinha a chance de mudar tudo, de salvar meu pai, de ser feliz com ele. Sou grata a Apolo, a Angel... mas Mason merecia mais. Esse sentimento cresceu dentro de mim enquanto o jovem Logan se aproximava. Foi então que a voz de Morgana reverberou dentro de mim:
— Lembre-se, a raiva te dá o primeiro passo, mas não te leva ao destino.
Olhei novamente para Logan e, em um impulso, corri até Mason. Quando me aproximei, ele sorriu para mim.
— Minha Bella.
Meus olhos se encheram de lágrimas.
— Você está me vendo? — Minha voz saiu como um sussurro.
Ele se aproximou. A bebê que ele segurava já havia desaparecido—na verdade, aquela bebê era eu.

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