Isabella
Acordei desorientada, com um forte gosto metálico na boca. Levantei a cabeça e, pela pequena janela, percebi que já era dia. Minha Deusa, quanto tempo dormi?
Estava deitada sobre um chão gelado. Levantei-me lentamente e olhei para meu vestido, manchado de sangue seco. Meu coração acelerou. Tateei meu corpo em busca de ferimentos, tentando descobrir de onde vinha aquele sangue, mas, antes que pudesse entender, senti uma presença.
Meus olhos se ergueram, e então o vi.
— Ethan!
Meu grito ecoou pelo pequeno cômodo. Sem pensar, me coloquei de pé e corri até ele. Estava desacordado, com hematomas espalhados por todo o corpo e uma poça de sangue ao seu lado. Seus pulsos estavam presos por correntes de prata, levemente pendurados, deixando seus braços erguidos de maneira desconfortável. Seu corpo, no entanto, ainda tocava o chão, o que tornava a posição menos brutal, mas não menos cruel.
— Ethan, por favor, fale comigo.
Meu coração se apertou ao perceber que não conseguia ouvi-lo respirar. Mesmo com minha audição aguçada de loba, não captava os batimentos de seu coração. Em desespero, pressionei meu ouvido contra seu peito e prendi a respiração. Então, senti. Fraco, mas ainda ali. Um alívio me tomou, trazendo lágrimas aos meus olhos.
Segurei seu rosto entre as mãos e encostei minha testa na dele.
— Por favor...
Minha voz saiu num sussurro, carregada de dor.
O som da porta se abrindo atrás de mim fez meu corpo se retesar. Eu já sabia quem era antes mesmo de vê-lo. Deixei Ártemis se conectar a mim, e num pulo me pus de pé.
— Kaelen.
Minha voz saiu entre um rosnado.
— Que recepção empolgante. — Ele sorriu, divertido. — Não esperava ser recebido com tanto entusiasmo.
Joguei as mãos para o lado, deixando minhas garras se exporem. Sentia Ártemis em cada fibra do meu ser, mas havia algo mais. Um poder que nunca havia sentido antes.
Meus olhos se cravaram nos dele, e um sorriso se formou em meus lábios.
— Dê mais um passo e verá que minha recepção pode ser ainda melhor.
Minha voz saiu firme, carregada de sarcasmo e de algo mais... crueldade.
Por um momento, a lembrança me atingiu. Quando enfrentamos aqueles Lycans para salvar Logan, Ártemis havia tomado essa mesma postura. E agora, eu a sentia novamente, mais forte do que nunca.
— Não me leve a mal, princesa, mas estou bem onde estou.
Inclinei levemente a cabeça, mantendo meus olhos fixos nos dele.
— Está com medo de mim, Kaelen?
Vi seu corpo se mover sutilmente para trás, aproximando-se um pouco mais da porta. Então é isso... A força que emanava de mim o estava afugentando. As palavras de tia Morgana ecoaram em minha mente: “A raiva te ajuda a dar o primeiro passo, mas não te leva ao destino.”
Eu poderia usá-la a meu favor. A ganância de Kaelen por poder o tornava fraco, pois ele se deixava consumir pela fúria.
— Sabe, Kaelen...
Minha voz soou calma enquanto me aproximava dele lentamente.
— Tia Morgana me contou uma história interessante. Quer ouvir?
Um vislumbre de curiosidade brilhou em seus olhos.
— Não acredito que Morgana tenha algo útil a dizer.
Sua voz transbordava escárnio, o desprezo por minha tia evidente em cada sílaba. E era exatamente essa arrogância que o levaria à ruína.
— Bem... — bati os dedos no queixo, fingindo refletir. — Era algo sobre você ser tão fraco que nem mesmo seu pai acreditava na sua capacidade.
Os olhos dele brilharam com fúria, e um sorriso brincou em meus lábios.
— O quão incapaz alguém precisa ser para que nem o próprio pai acredite nele?
Levantei uma sobrancelha, desafiando-o.
— Ahh! Sua maldita!
Kaelen rugiu, e naquele instante, soube que o tinha nas mãos. Te peguei.
Ele avançou contra mim, proferindo palavras mágicas. Mas dessa vez, fui mais rápida.
Toquei Ethan com uma das mãos e, com um movimento ágil da outra, invoquei:
— Aura Defensiva!
Kaelen foi lançado para o sombrio, sem ideia de que Morgana havia me ensinado diversos feitiços. Diferente dele, minha motivação não era a raiva, por mais que o odiasse. O que me mantinha de pé era o amor—pela minha família, pelo meu primo, que estava ali, ferido ao meu lado.
Seus olhos se arregalaram quando percebeu que seu feitiço não teve efeito sobre mim. Mas antes que pudesse reagir, um estrondo cortou o ar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Filha da Lua: Entre Lobos e Alfas