Isabella
Doía demais deixar meus filhotes.
Mas o que mais dilacerava meu coração era deixar Logan… e pior: fazê-lo escolher entre mim e Athena.
Mas eu já tive uma vida.
Fui criada por pais maravilhosos, tive amigos leais como Melissa, Jacob e, claro, Eduardo.
Criei laços eternos com meus primos Ethan e Noah, e com meu irmão de alma, Gabriel.
Mesmo depois de tudo, tive a oportunidade de me ligar a Megan e conhecer Lexa.
Sem mencionar Ajax, que, apesar do jeito dele, era um bom tio e padrasto.
Ravena… mesmo com toda a relutância que tive no início, eu a amava.
E, claro, tia Morgana — uma extensão do meu pai, alguém mais do que especial.
Mas, acima de tudo… Logan.
Meu companheiro. Irritante, possessivo, ciumento, superprotetor… Alfa Logan.
O amor da minha vida.
Amei Logan no instante em que nossos olhos se cruzaram.
Ao lado dele, vivi as experiências mais incríveis desta vida.
E, como resultado desse amor, tive meus filhotes: Mason e Athena.
Minha alma doía.
Ártemis choramingava dentro de mim, lamentando por deixá-los.
Mas sabíamos… eles mereciam viver.
Sentia Logan e os bebês ao meu redor.
Mason, meu menino. A miniatura do meu Adônis.
Ele daria trabalho para sua futura companheira… espero que ela não seja ciumenta.
Esse pensamento me fez rir, ainda que com dor.
Athena, minha menina.
Quando nasceu, seus olhos encontraram os meus — e foi como me olhar no espelho.
O amor que senti naquele instante…
Não existe, nem nunca existirá, palavras que possam descrevê-lo.
Porque o amor não se explica.
O amor se vive.
E eu o vivi… de todas as formas.
Já não conseguia mais me conectar a nada ao meu redor.
Será que já estava morrendo?
Será que eu veria meu pai?
Sempre senti sua presença… será que teria essa mesma oportunidade?
Estar sempre com meus filhotes?
A escuridão foi se dissipando, e uma luz azulada tomou conta do ambiente.
Uma mulher linda surgiu. Sua presença era etérea.
Seus cabelos, brancos como a neve, contrastavam com a pele levemente bronzeada.
Seus olhos eram prateados, e ela emanava poder.
— Também te acho linda, filha.
Sua voz era como uma melodia.
Primeiro ecoou em minha mente e, depois… a ouvi em alto e bom som, reverberando ao meu redor.
Conforme eu me situava, vi um lugar lindo.
Um campo de margaridas, e elas dançavam com o vento.
Eu podia até sentir o cheiro do campo e o sol me tocando suavemente.
— Selene… — minha voz foi um sussurro, e ela apenas sorriu.
— Bem-vinda, Isabella.
Senti uma paz…
Morrer era lindo.
Mas, ao mesmo tempo, uma tristeza em saber que agora não havia mais volta.
— Obrigada… — murmurei, abaixando a cabeça.
— Qual o motivo dessa tristeza? — Ela se aproximou, pegando uma das minhas mãos e afastando uma mecha de cabelo do meu rosto. — Acho que ficou muito bem essa mecha branca em você.
Sorri com seu comentário.
Não podia esperar outra coisa da Deusa.
Ela estava tentando suavizar o momento.
— Vamos nos sentar, temos muito o que conversar.
Assenti com um leve aceno.
Continuamos caminhando, e pude ver pessoas ao nosso redor.
Havia muitas crianças, e aquilo apertou meu coração.
Lembrei dos meus filhotes…
— Sente-se.
Eu nem tinha percebido, mas paramos em balanços parecidos com o que meu pai fez para mim, no fundo de casa.
Mais uma vez, meu coração apertou.
Meu pai, Alfa Apolo… o primeiro amor incondicional da minha vida…
E… eu nem mesmo me despedi.
— Agora me conte, o que te aflige?
A voz dela era tão suave que, mesmo eu sendo um turbilhão de sentimentos, ela me acalmava.
Assim como Angel… minha mãe de coração.
Mas nunca me importei com esse título, porque meu coração a acolheu como mãe, antes mesmo de meu pai permitir que eu a chamasse assim.
— Não quero que me entenda mal, minha Deusa… — suspirei. — Não me arrependo de escolher morrer para minha menina viver. Mas…
As lágrimas começaram a escorrer.

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