Isabela
Pegamos o carro e fomos direto para a casa da minha melhor amiga, Melissa. Ela nos acompanharia até o Centro, mas não pude deixar de notar o sorriso radiante da minha mãe. Algo definitivamente tinha acontecido.
— Então... — comecei, tentando puxar assunto. — Quer me dizer o motivo de tanta felicidade?
Ela me olhou de lado, com aquele olhar de quem sabe exatamente do que eu estou falando.
— O que você quer dizer?
— Bem, há menos de uma hora você queria estrangular meu pai, e agora voltou do escritório toda... estranhamente sorridente.
Ela riu, mas parecia ligeiramente desconcertada.
— Dá para perceber tanto assim?
Eu ri junto com ela.
— Você e o Papai se entenderam?
Ela suspirou, desviando os olhos por um momento antes de responder:
— Digamos que estamos no caminho.
Uma felicidade inexplicável explodiu dentro de mim, e eu me joguei para abraçá-la, esquecendo completamente que ela estava dirigindo.
— Ei, querida! Cuidado, estou ao volante!
— Desculpa, mãe, mas estou tão feliz que vocês dois finalmente pararam de ser teimosos e resolveram ser felizes juntos!
Ela corou, e não pude deixar de sorrir. Nosso relacionamento sempre foi forte, mas chamá-la de mãe assim abertamente tinha um gosto especial. Papai finalmente me permitiu dar a ela o título que sempre foi dela por direito.
— Vamos pegar a Mel, e antes de irmos à loja, vou dar uma passadinha na confeitaria para pegar uma encomenda.
Concordei, e logo estávamos na casa de Melissa. Como sempre, ela entrou no carro cheia de energia, animando o ambiente. Conversamos e rimos até chegar à confeitaria.
— Querem alguma coisa? — perguntou minha mãe antes de sair.
Negamos, e ela nos deixou sozinhas no carro.
— Que energia é essa que estou sentindo? — Melissa perguntou, estreitando os olhos. — E desde quando você chama Angel de mãe?
Eu ri, mas sabia que ela não ia largar do osso tão cedo.
— Longa história. Meus pais finalmente estão se entendendo. Pena que demoraram 18 anos para isso!
Rimos juntas, mas antes que eu pudesse continuar, senti Ártemis se manifestar. O uivo dela ecoou na minha mente, alto e estridente. Aquilo me desconcertou imediatamente.
— Bella? O que houve?
Olhei para Melissa, sem saber o que responder.
— Não é nada... Acho melhor ir atrás da minha mãe.
Desci do carro apressada e, na correria, trombei em alguém. Ártemis enlouqueceu. Meu coração acelerou, e uma dor aguda tomou conta da minha cabeça. O estranho tentava falar comigo, mas eu mal conseguia entender suas palavras.
Então eu o senti. Uma presença avassaladora tomou conta do ambiente, densa e autoritária. Levantei os olhos, buscando a origem daquela força. Quando os encontrei, perdi o ar.
Era um homem. Não, mais que isso, um Alfa.
Ele parecia ter mais de 21 anos, com cabelos loiros presos em um coque, uma barba impecável e olhos azuis que lembravam o oceano em um dia de tempestade. Era como se ele emanasse poder. Minha mente girava, e meu corpo parecia incapaz de reagir. Ártemis uivava, e minha visão ficou turva.
— Querida, fale comigo! Está tudo bem? Devo chamar seu pai?

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