Logan
Não deixei Orion assumir o controle. Fui para cima daquele maldito na forma humana. Cada golpe que trocávamos parecia ecoar como trovões, cada impacto reverberando no ar pesado. Mas, mesmo enquanto lutava, minha única preocupação era Isabella. Então, de repente, parei de sentir sua dor. O que isso significava?
— Logan! Estamos chegando! — Gabriel disse através da conexão, sua voz urgente, quase ofegante.
Um cheiro forte de sangue preencheu o ar — não era meu. O Lycan também percebeu, parando subitamente e virando-se para Isabella no mesmo instante que eu. Ela havia saído do carro, mas seu corpo cambaleava, suas pernas fraquejavam, incapazes de sustentá-la.
— Isabella! — gritei, minha voz carregada de desespero e temor.
Nesse momento, um segundo Lycan apareceu. Quando olhei, reconheci Gabriel. Seu olhar era feroz, uma mistura de determinação e raiva crua.
— Cuide de Isabella! — ele ordenou, já avançando contra o inimigo.
Não precisei ouvir duas vezes. Corri até ela, minhas pernas movendo-se sozinhas. Quando a alcancei, a cena que encontrei desmoronou todas as minhas defesas.
Com as mãos trêmulas, toquei gentilmente seu rosto. Havia um corte profundo na lateral, e o sangue escorria, tingindo sua pele pálida. Seus olhos estavam semiabertos, e sua respiração era lenta, o peito subindo e descendo com esforço.
— Amor... — chamei, minha voz quebrada, quase um sussurro, carregado de medo.
Orion rosnava em minha mente, refletindo meu próprio desespero. Ouvi o Lycan adversário choramingar antes de fugir. Gabriel havia resolvido a questão com rapidez e brutalidade.
— Minha Deusa, Bella! — A voz desesperada de Melissa ecoou atrás de mim, trazendo-me brevemente de volta à realidade. Ela corria na nossa direção, os olhos arregalados, brilhando com lágrimas prestes a cair.
— Alfa, precisa de ajuda? Quer que eu a carregue? — Liam perguntou, sua voz firme, mas claramente preocupada.
— Não. Eu a levo!
Reuni todas as minhas forças. Minha batalha com o Lycan havia deixado marcas, mas isso não importava. Levantei-a nos braços e comecei a caminhar em direção ao carro de Jake.
— Apolo já está a caminho do hospital — ouvi alguém dizer ao fundo, mas suas palavras pareciam distantes, abafadas pelo som do sangue pulsando nos meus ouvidos. Minha atenção estava completamente nela.
— Me desculpa, amor. Eu devia tê-la levado comigo para a Alcateia... — sussurrei através de nossa conexão, mas a única resposta foi o vazio.
A cena ao nosso redor parecia desbotada, como se o mundo inteiro tivesse perdido as cores. Senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto enquanto o vento da noite cortava minha pele.
Por um instante, a memória da primeira vez que a vi inundou minha mente. Ela estava linda, seus cabelos negros caindo como uma cascata até a cintura, seus olhos azuis brilhantes como o céu mais limpo, e aquele cheiro doce que parecia abraçar minha alma. Agora, sua pele estava pálida, fria ao toque. A única cor vinha do sangue que insistia em escorrer.
— Por favor, Bella. Não me deixe — murmurei, segurando-a mais firme.
Nunca acreditei que poderíamos amar alguém tão profundamente sem conhecê-la direito, mas isso mudou no instante em que a vi. Ela era meu sol em manhãs nubladas, minha luz na escuridão mais densa, o centro do meu mundo.

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