Ravena
Era a primeira vez que via Isabella depois do nosso último confronto. Ainda estava irritada com ela por ter machucado Dandara e fugido. Mas olhar para ela era o mesmo que olhar para Mason, e ele ainda era o amor da minha vida. E ela, minha filha.
— Fique tranquila, não tenho a intenção de levá-la à força novamente. — Deixei meu poder se expandir.
— Não me levaria nem que tentasse — retrucou entre os dentes. Sorri daquele jeito teimoso que me lembrava Mason. Lutadora, como ele sempre foi. Uma característica que eu amava nele.
— Abaixe a guarda, Isabella. Eu realmente vim apenas conversar. — Vi quando ela levantou levemente os lábios em um sorriso enviesado.
— Então peça para sua Beta sair das sombras. — Ela falou com sarcasmo, deixando-me incrédula. Como ela sabia? Estava ocultando Dandara. Percebendo minha confusão, ela virou a cabeça de lado, o olhar cintilando de provocação.
— Parece que a Rainha se esqueceu que não é a única Lycan do reino. — Suas palavras eram afiadas, cheias de veneno. Eu precisava mudar minha abordagem. Tinha que conseguir me aproximar dela.
— Saia, Dandara. — Assim que saiu, Isabella olhou para ela e vi a culpa em seus olhos. Dan também percebeu.
— Estou bem, Bella, não se preocupe. — Dan sorriu para ela, e Isabella retribuiu o sorriso. Queria um daqueles sorrisos para mim. A tristeza me abateu, e soltei um suspiro que chamou a atenção dela.
— Fico feliz em saber. Não tinha a intenção de machucar ninguém. Só queria voltar para casa — disse em um tom seco. Ela não abaixava a guarda, nem mesmo se afastou da porta.
— Diga logo o motivo de entrar furtivamente em meu quarto. — A autoridade era evidente em sua voz.
— Você não me deu a oportunidade de explicar, naquele dia, o motivo pelo qual precisei te tirar daqui. — Ela riu ironicamente.
— A culpa é minha, então? Você faz do meu aniversário um casos de família, me segue na floresta, não respeitando o momento que pedi... — Comecei a sentir sua raiva se expandir. Olhei de lado para Dandara, que assentiu, indicando que também sentia. Isabella continuou, sua voz cada vez mais intensa:
— Me levou contra a minha vontade. — Seus olhos mudaram de cor, e sua voz se misturava com a de sua Lycan. Ela foi se aproximando. Dandara quis intervir, mas levantei minhas mãos em sinal para que não se movesse.
— E o pior de tudo, matou meu pai! — Suas palavras foram como flechas disparadas diretamente no meu coração. Ela me culpava. Senti a verdade em suas palavras. Minha filha me culpava pela morte de seu pai.
— Não caia nessa, Rav. A Lycan dela sabia que isso mexeria com você — ouvi Dandara através da conexão. Mas eu sabia que a Lycan só estava se alimentando de um sentimento que já existia. Isabella realmente me culpava.
— Você está certa. A culpa foi minha. Eu não lutei por ele, não lutei por você, os abandonei — disse com toda a sinceridade. Cada palavra minha continha não só verdades, mas também a dor que senti por todos esses anos.

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