Dias atuais...
Isabella
— Bom dia, lobinha preguiçosa!
Abri os olhos com dificuldade enquanto via tia Angel caminhar até as janelas para abrir as cortinas.
— Tia Angel, por favor, só mais uns minutos. Jacob, Melissa e eu ficamos planejando meu aniversário até tarde ontem.
— Sinto muito, mocinha. Seu pai já está te esperando lá embaixo.
Meu pai, Alfa Apolo, é um dos lobos mais justos e o mais bonito do planeta. Todas as lobas babam por ele, principalmente tia Angel. Ela não admite, mas eu vejo como olha para ele. Meu pai nunca encontrou sua companheira destinada e nunca escolheu uma. Mas, se pudesse escolher, eu sei que tia Angel estaria no topo da lista.
— Você poderia descer e fazer companhia para ele enquanto eu me troco. O que acha? — Olhei para ela com aquele olhar pidão que sempre funcionava.
— Eu sei exatamente o que você está tentando, Bella, mas hoje não vai rolar. Tenho um encontro mais tarde e não quero que nada estrague meu dia. E enfrentar o mau humor do seu pai com certeza estragaria meu dia.
Ela tinha razão. O mau humor do meu pai é capaz de estragar o dia de qualquer um.
— Você tem um ponto — respondi, piscando para ela antes de correr para o banheiro. Fechei a porta e gritei: — Desço em cinco minutos!
— Vou dizer a ele dez, porque você nunca termina em cinco — ela respondeu, rindo enquanto fechava a porta do meu quarto.
Tia Angel me conhece tão bem que é assustador. Ela é como uma mãe para mim, ajudando meu pai a me criar desde que meu outro pai, Mason, faleceu. Apolo nunca deixou que eu esquecesse Mason, mas também nunca permitiu que eu sentisse que ele era menos pai por ser meu pai de coração.
Fui até a pia e lavei meu rosto, tentando despertar por completo. Quando levantei o olhar, o que vi no espelho fez meu coração disparar. Meus olhos. Eles... mudaram. Não eram mais Safiras. Agora, eram duas pedras Ametistas, brilhando com uma intensidade sobrenatural.
— O que é isso!? — Minhas mãos tremiam ao tocar o rosto, como se quisesse provar que era real. Pisquei rapidamente, mas, ao abrir os olhos novamente, minhas Safiras estavam de volta. Como sempre foram. — Será... minha loba? — sussurrei para mim mesma. Mas isso era impossível. Nossos lobos só emergem aos 18 anos, e... eu ainda não tenho 18.
Sacudi a cabeça, tentando ignorar o frio na espinha que sentia. Era cedo demais para paranoias. Terminei minha higiene matinal, me troquei e desci correndo para o café.
— Bom dia ao Pai mais incrível! — Abracei Apolo de lado e dei um beijo estalado em sua bochecha.
— Bom dia, minha Bella! — Ele sorriu e acariciou meu cabelo com uma das mãos. Era o sorriso mais seguro do mundo, aquele que sempre dissipava qualquer dúvida.
Tia Angel surgiu com uma bandeja de café e, antes que ele pudesse se virar para os papéis espalhados pela mesa, o cortou com seu tom severo:
— Já conversamos sobre trabalho à mesa um milhão de vezes, Apolo. Esses são raros momentos de paz que você tem com Bella!
— E eu sempre respondo a mesma coisa — ele retrucou, piscando para mim.
Ri, enquanto Angel balançava a cabeça, mas sem esconder um leve sorriso.
— Você é mesmo um exemplo extraordinário — respondeu ela, com sarcasmo afiado, enquanto colocava mais uma fatia de bolo no prato dele.
Eu amava nossas manhãs. Essa dinâmica familiar fazia com que eu nunca me sentisse menos amada, mesmo que nenhum dos dois fosse meu pai ou mãe biológicos.
Pensei, por um instante, em minha mãe biológica. Meu pai sempre me dizia que nem ele a conheceu, mas me ensinou a agradecê-la todos os dias. Afinal, ela me deu a vida. Mas o que eu tinha agora era mais do que suficiente. Apolo e Angel me davam tudo o que uma família poderia oferecer: amor, segurança, e o senso de pertencer a algo maior.
— E como estão os preparativos? Está animada? — Meu pai perguntou, tirando-me de meus pensamentos nostálgicos.
— Com a festa, um pouco. Mas o que mais me anima é minha loba. Como será que ela é? — Coloquei um pedaço grande de bolo na boca e recebi um olhar repreensivo de tia Angel.
— Deve ser linda e poderosa como você — meu pai disse, orgulhoso.
— Ártemis parece ser uma boa loba, mas estou curiosa para vê-la. Quer dizer, me transformar nela.
O clima mudou no instante em que falei isso. Ouvi o barulho de algo caindo: tia Angel havia derrubado o garfo. Meu pai me olhou com uma expressão séria antes de perguntar:

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