Angel
Os últimos dias não têm sido fáceis. Sempre percebi que havia algo diferente em mim, mas nunca dei a devida importância. Por muitos anos, senti que não me encaixava em lugar nenhum, vivendo constantemente em busca de aceitação e amor. As rejeições e tragédias que marcaram minha vida, por mais dolorosas que tenham sido, de alguma forma me fortaleceram.
A verdade é que, ao olhar para trás e comparar com o meu presente, percebo que tudo fazia parte de um plano da Deusa. Cada dor, cada obstáculo... tudo serviu para me moldar, me preparar para os dias de hoje.
— Um beijo pelos seus pensamentos... — disse Apolo, me tirando dos meus devaneios.
— E você realmente acha que meus pensamentos valem um beijo? — falei de forma provocativa, colocando uma das mãos na cintura.
— Bom, seus beijos valem o mundo para mim. — Ele me puxou pela cintura, e nossos corpos se encaixaram como se fosse natural. O beijo, profundo e urgente, não era só uma troca de carícias, mas um refúgio. Por um instante, eu me entreguei completamente, sem reservas, permitindo que ele me levasse para um lugar onde o medo não existia. Seus beijos valiam mais que meus pensamentos; por um beijo dele, ele poderia levar minha alma. Tamanho era o meu amor por esse Alfa. Assim que nos separamos, ofegantes, ele passou o polegar em meu rosto antes de sussurrar:
— Te amo... — Fechei os olhos, sentindo a intensidade de suas palavras como uma promessa, e me entreguei ao calor de sua presença, confiando que ele sempre seria minha rocha, meu apoio, mesmo quando tudo ao redor parecesse desabar.
— Eu te amo sempre mais. — disse ainda com os olhos fechados, e senti sua boca em meu maxilar, descendo pelo meu pescoço. Por mais que eu amasse nossos momentos, hoje eu não estava no clima para nada além de companhia.
— Querido... — falei em um tom suave, o tirando daquele momento. Ele me olhou confuso, e liberei meus pensamentos para ele. Acho que esse era um dos maiores presentes que a Deusa deixou a nós, companheiros: termos o dom de compartilhar as emoções. Era uma dádiva.
— De onde veio tudo isso? — ele me perguntou, confuso.
— Eu não sei, Gabriel, Ravena, e até Dandara, eles me ajudaram muito nos últimos dias. — Suspirei, sentindo o peso das palavras. — Mas está ficando cada vez mais difícil, tenho a sensação de que algo... ou melhor, alguém, está se aproximando.
Apolo segurou minhas mãos nas dele, guiou-as até seus lábios e me deu um beijo suave, quase como se estivesse tentando transmitir algo que palavras não podiam.
— Sabe que não precisa carregar tudo isso sozinha. Poderia ter me dito antes. — Sentia a frustração em sua voz, e era exatamente por isso que não disse nada. Não quero esse tipo de sentimento nas pessoas que amo: frustração, medo, preocupação, dúvidas...
— Nunca gostei de ser um peso ou de causar problemas. — Afastei-me dele, dando um passo atrás, como se estivesse me afastando de algo mais profundo. — Sabe bem disso! — Olhei nos olhos dele, e sabia que ele entendia. Por tanto tempo, me conformei em ser deixada de lado, em colocar a felicidade deles antes da minha. Na verdade, nunca me senti à altura do papel de Luna, nem da responsabilidade de ser mãe de Isabella.
Percebi a irritação começar a irradiar dele; Apolo odiava tocar nesse assunto. Para ele, o fato de ter me marcado como sua seria o suficiente para deixar de lado tudo isso. Mas o que ele não entendia é que ser acasalada hoje não apagava as cicatrizes causadas.
— Angel, eu já pedi desculpas por tudo isso. — Ele passou a mão pelos cabelos, um gesto que demonstrava sua irritação.
— Querido, não é sobre nós, não mais. Só que... quando vejo que as coisas estão saindo do meu controle, isso me assusta. — Fui caminhando em direção à cama, precisava me afastar um pouco mais. Talvez deitar, relaxar ou até dormir um pouco, deixando essa conversa para outro momento.
Apolo me seguiu, sentando-se à minha frente na cama. Ele parecia decidido, mas sua expressão também refletia a dor que sabia que eu carregava.
— Amor, eu acho lindo você ser altruísta dessa maneira. De verdade... — Ele tirou uma mecha de cabelo do meu rosto e a colocou atrás de minha orelha, tocando-me de maneira suave, como se tentasse suavizar a tempestade dentro de mim.

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