Logan
Queria entender o ponto de vista de Ravena, Gabriel e até Apolo sobre confiar em Noah e esperar. Mas o que eles não entendiam era que cada minuto longe de Isabella, sem saber como ela estava, o que estavam fazendo com ela... isso era torturante.
Fiquei sentado no pé da escada, esperando por Apolo. Gabriel, incentivado por Noah, foi direto ver Lexa. A preocupação dele com minha irmã me incomodava, mas, para seu companheiro, parecia algo normal. Decidi deixar isso de lado por enquanto, mas sabia que logo viria mais uma surpresa.
Assim que senti a aproximação de Apolo, me levantei e esperei enquanto ele descia as escadas. Sua postura estava mais imponente que o habitual, mas seus olhos não escondiam a dor e algo que parecia mágoa.
Ele foi enfático ao dizer que manteria sua confiança em Noah e ainda nos comparou. Entendi seu ponto de vista; meu pai também foi um monstro, assim como o pai de Noah. Mas o que não passou despercebido foi o desconforto evidente entre ele e Angel, e até uma certa alfinetada em suas palavras quando disse:
— Não espere muito de ninguém, porque as decepções podem vir até de quem sempre esteve ao nosso lado.
Ele se virou em direção ao escritório, deixando Angel e a mim para digerirmos suas palavras.
— Você está bem? — perguntei a ela.
— Estarei quando minha filha estiver de volta e em segurança. — A dor era evidente em sua voz.
Um vento entrou pelas janelas abertas da sala. Era uma reação natural de Angel; como druida, a natureza respondia às suas emoções.
Gabriel surgiu no topo da escada, e ao seu lado estava minha irmã.
— Lexa. — Chamei, correndo em sua direção.
— Você está bem para estar fora da cama? — perguntei, preocupado.
— Estou sim, Logan, não se preocupe. — Ela tentou sorrir, mas o esforço era visível.
Assenti, e seguimos para o escritório de Apolo. Quanto mais rápido ouvíssemos o que aquele moleque tinha a dizer, mais rápido iríamos atrás da minha Bella.
Assim que entramos, a tensão no ambiente era quase palpável. Apolo estava sentado em sua cadeira, olhando pela janela. Ajax e Ravena estavam acomodados lado a lado em um dos sofás ao canto.
— Onde está Noah? — perguntei em um tom autoritário.
— Está lá fora, aguardando ser chamado — respondeu Ravena.
— Por que o deixaram lá fora? — minha irmã perguntou, preocupada com ele.
— Não foram eles, querida Lexa, foi opção minha.
A voz de Noah ecoou atrás de nós, vindo da porta. Gabriel rosnou pela forma como ele se dirigiu à minha irmã, mas Noah levantou as mãos em rendição.
— Ei, irmão, se acalme. Você sabe que meus sentimentos por ela são os mesmos que os seus pela Princesa.
Ao ouvir isso, Gabriel se acalmou, e Lexa pareceu confusa com a interação entre os Lycans.
— Gabriel, pode me explicar uma coisa? — perguntei, chamando sua atenção. — Ethan te chamou de irmão mais cedo, e agora Noah. Qual é a verdadeira relação de vocês?
Aquilo me corroía por dentro. Isabella nos contou que Vicent encontrou Gabriel quando ele tinha apenas oito anos. Eles poderiam ter criado essa interação familiar por crescerem juntos, mas eu sentia que havia algo mais nisso.
— Eles realmente são meus irmãos — respondeu Gabriel, firme, sem deixar dúvidas.
— E você nunca pensou em compartilhar isso antes? — Ravena perguntou, incrédula. — Você sempre falou de Vicent com tanto desprezo!
— Vicent nos criou, mas nenhum de nós é filho legítimo dele — Noah interveio.
— Essa história fica cada vez mais interessante — comentou meu tio, segurando a mão de Ravena numa tentativa explícita de acalmá-la.
Olhei para Apolo e Angel. Ambos permaneciam calados, apenas absorvendo cada nova informação desse emaranhado que era nossa vida.
— Nosso pai era o irmão mais velho de Vicent. Seu nome era Dante — disse Gabriel. — Ele abandonou a mim, minha irmã e nossa mãe para viver com a mãe de Ethan e Noah.
O peso dessa revelação era evidente. Toda vez que Gabriel falava sobre sua família, sua dor era quase palpável.
— Minha mãe, Morgana, é meia-irmã de Kaelen. É dela que recebemos nossos dons — explicou Noah.
— Quando eles me encontraram, meu pai já estava morto. Morgana e Kaelen disseram a Vicent que eu era um escolhido, um guardião, e, desde pequeno, me treinaram para essa função.
Os olhos de Gabriel mudaram de cor. Lembrei-me de quando o conheci e ele contou sua história. Isabella o consolou naquele dia... e eu quase não mantive o controle por ciúme. Hoje, eu daria tudo para que meu amor estivesse aqui, ajudando nosso amigo.
— Lexa, vá até ele — falei a ela em pensamento.
Ela me olhou, confusa, por me ouvir em sua mente.
— Seu companheiro precisa de você.
Assim que terminei, lhe dei um sorriso encorajador. Minha irmã parecia hesitante, com dificuldade até de interagir comigo, mas fez o que pedi. Foi até Gabriel e pegou em sua mão para acalmá-lo. Por um instante, ele pareceu confuso, depois aceitou o afago dela.
— Algumas peças ainda não se encaixam — a voz de Apolo ecoou do fundo da sala. Ele estava sentado atrás de sua mesa, mas a inquietação em seu olhar deixava claro que sua mente trabalhava a mil.
Ele se levantou devagar, vindo em nossa direção, como se tentasse organizar os próprios pensamentos em voz alta.
— Meios-irmãos, feiticeiros, um tio que criou os sobrinhos como filhos. Profecias, druidas, Lycans, linhagens entrelaçadas de um jeito que parece impossível… — Ele soltou um riso seco, descrente. — São peças demais para um quebra-cabeça que ainda não faz sentido. Como tudo isso se conecta? Porque, para mim, ainda parece um monte de fios soltos, e eu odeio não ter respostas.
— Tudo vai se encaixar com o tempo, Apolo. Acredite em mim. E esse tempo está mais próximo do que imagina. — A certeza na voz de Gabriel foi tão firme que chegou a me arrepiar.
Cruzei os braços, observando-o por um instante.

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