Isabella
Acordei desorientada. Lembrava-me da dor e de conseguir falar com minha família, mas depois… tudo se tornou um borrão.
Abri os olhos, mas ainda estava imersa na escuridão. Minhas mãos estavam presas por correntes de prata, meu corpo suspenso no ar.
Aspirei fundo, tentando reconhecer o ambiente pelo cheiro, mas foi inútil. Não havia nenhum odor familiar. Nenhuma presença. Apenas o vazio ao meu redor.
Meu corpo gritava de dor, à beira do colapso. Lembrei-me de Ethan, da angústia em seus olhos por não poder me ajudar. Será que eu conseguiria falar com ele? Ou com Logan?
— Ártemis… — chamei mentalmente.
Antes que minha loba respondesse, senti a presença inconfundível de Kaelen se aproximando. Meu corpo inteiro reagiu. Já havia resistido à sua magia uma vez para me conectar com minha família, mas sabia que, dessa vez, não suportaria novamente.
A porta se abriu, e ele entrou sozinho. Seu olhar era puro veneno.
— Ora, veja quem acordou. — Sua voz carregava escárnio.
— Onde está Ethan? — Minha pergunta saiu como um rosnado, enquanto instintivamente levei as pernas para frente, tentando manter alguma distância.
Ele se aproximou ainda mais, e eu não hesitei:
— Não chegue perto de mim! — Minha voz saiu afiada, e senti Ártemis encostar-se a mim em minha mente. Graças à Deusa por tê-la ali.
Kaelen riu, debochado.
— Parece que a princesinha nutre um certo sentimento pelo meu sobrinho.
Ele agarrou um punhado do meu cabelo e puxou minha cabeça para trás. Um grito de dor escapou dos meus lábios.
— O que será que seu companheiro fará quando descobrir isso?
Minha visão estava turva pela dor, mas reuni forças para encará-lo.
— Seu maldito! Ethan é um amigo! Alguém que me protegeu de você!
Cuspi em seu rosto. Ele recuou ligeiramente, surpreso com meu ato.
Mas não por muito tempo.
Kaelen limpou o rosto devagar e, no instante seguinte, sua mão se fechou em torno do meu pescoço, forçando-me a encará-lo.
— Tão ingênua… — sussurrou, seus olhos faiscando. — Gostaria de lembrá-la de que foi ele quem a raptou.
Ele estava certo. Mas algo dentro de mim gritava que Ethan era tão vítima quanto eu.
— Eu sei bem quem é Ethan — murmurei, tentando soltar seu aperto. — E sou capaz de perdoá-lo pelo que fez.
Kaelen apertou mais.
— Assim como sei bem quem é você. Espero que Vicent descubra e veja o mesmo que eu: um maldito traidor!
Cuspi em seu rosto novamente. Dessa vez, em vez de raiva, ele sorriu.
Um arrepio gelado percorreu minha espinha.
Ele gostava disso.
Sem aviso, sua boca desceu sobre a minha. O gosto amargo de sua língua invadiu minha boca, e eu quis vomitar. Quis me desvencilhar. Mas não conseguia me mexer. Ele me dominava.
Suas mãos começaram a deslizar pelo meu corpo. Uma delas entrou por baixo da minha blusa; a outra desceu até meu sexo.
Lágrimas escorreram pelo meu rosto.
Por que eu não conseguia me defender?
Ártemis choramingava dentro da minha mente. Ela, assim como eu, estava presa pela magia de Kaelen.
Tentei jogar minha cabeça para trás, afastá-lo, mas ele segurou minha nuca com força.
Eu queria gritar.
Queria jogá-lo para longe.
Mas tudo o que consegui foi chorar.
Kaelen me empurrou contra a parede e afastou minhas pernas para se encaixar entre elas. Seu membro duro roçou contra mim.
Arfei ao senti-lo. Mas não era de prazer.
Era de puro pavor.
Eu clamava à Deusa, tentava me conectar com alguém, com Ethan... Mas era impossível.
— Vou fazê-la minha, princesa. Aqui e agora — sussurrou contra minha pele, mordendo meu pescoço. Gritei de dor. — E então, nem Ethan, nem seu companheiro, nem ninguém mais poderá tê-la.
Ele desceu novamente em direção à minha boca. Dessa vez, consegui morder seus lábios. O gosto de sangue se espalhou em minha língua.

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