— Vamos todos.
Esse "todos", com certeza incluía Nívea.
O Sr. Barros entendeu a intenção na mesma hora e virou-se depressa para Nívea: — Nívea, venha, arrume-se, e faça companhia para o Sr. Valente e a Diretora Moreira num jantar casual!
Nívea ergueu o rosto, agora mais pálida que antes.
Ela não podia ir.
Sophia ainda estava no recreacional esperando por ela.
Além disso, não queria ficar perto de Gerson nem por um minuto!
O restaurante Jardim das Garças, famoso em Tulipas, ficava escondido no final de um beco qualquer.
Dentro do quintal de tijolos antigos e telhados pretos, haviam ameixeiras encostadas no canto do muro, e as janelas de madeira da sala privativa estavam meio abertas. A leve brisa de entardecer entrava.
Nívea estava sentada em sua cadeira. O dedo esfregava de modo inconsciente na borda do copo.
O chá dentro da porcelana já tinha esfriado e algumas folhas de chá boiavam lá dentro.
Ela olhava para aquelas folhas de chá, como se fossem as coisas mais preciosas do mundo.
— A senhorita entende de chá?
A voz de Diana chamou, e Nívea ergueu o rosto, bem nos olhos investigativos da mulher.
A mulher tinha trocado as suas roupas formais por um vestido casual leve e acinzentado, que dava um ar mais leve.
— Não entendo muito. — Nívea respondeu com voz fria.
O Sr. Barros ao lado travou e a olhou.
Pensou consigo mesmo: a pessoa que sempre foi doce e de fala mansa de repente ficou toda fechada?
O ambiente ficou denso.
Do lado oposto da mesa, Gerson soltou os pauzinhos e o som ecoou um pouco.
Ele vestia uma camisa escura com as mangas levantadas e um relógio muito caro no punho.
Os quatro anos acentuaram ainda mais seus traços. Debaixo de todo aquele rosto pesado havia um poder intimidador.
Desde o início ele nem usou muito os talheres, só tomava o chá de vez em quando, mas o seu olhar caía sobre Nívea em silêncio.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Fugi com o bebê do herdeiro falso