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Fugi com o bebê do herdeiro falso romance Capítulo 27

— Vamos todos.

Esse "todos", com certeza incluía Nívea.

O Sr. Barros entendeu a intenção na mesma hora e virou-se depressa para Nívea: — Nívea, venha, arrume-se, e faça companhia para o Sr. Valente e a Diretora Moreira num jantar casual!

Nívea ergueu o rosto, agora mais pálida que antes.

Ela não podia ir.

Sophia ainda estava no recreacional esperando por ela.

Além disso, não queria ficar perto de Gerson nem por um minuto!

O restaurante Jardim das Garças, famoso em Tulipas, ficava escondido no final de um beco qualquer.

Dentro do quintal de tijolos antigos e telhados pretos, haviam ameixeiras encostadas no canto do muro, e as janelas de madeira da sala privativa estavam meio abertas. A leve brisa de entardecer entrava.

Nívea estava sentada em sua cadeira. O dedo esfregava de modo inconsciente na borda do copo.

O chá dentro da porcelana já tinha esfriado e algumas folhas de chá boiavam lá dentro.

Ela olhava para aquelas folhas de chá, como se fossem as coisas mais preciosas do mundo.

— A senhorita entende de chá?

A voz de Diana chamou, e Nívea ergueu o rosto, bem nos olhos investigativos da mulher.

A mulher tinha trocado as suas roupas formais por um vestido casual leve e acinzentado, que dava um ar mais leve.

— Não entendo muito. — Nívea respondeu com voz fria.

O Sr. Barros ao lado travou e a olhou.

Pensou consigo mesmo: a pessoa que sempre foi doce e de fala mansa de repente ficou toda fechada?

O ambiente ficou denso.

Do lado oposto da mesa, Gerson soltou os pauzinhos e o som ecoou um pouco.

Ele vestia uma camisa escura com as mangas levantadas e um relógio muito caro no punho.

Os quatro anos acentuaram ainda mais seus traços. Debaixo de todo aquele rosto pesado havia um poder intimidador.

Desde o início ele nem usou muito os talheres, só tomava o chá de vez em quando, mas o seu olhar caía sobre Nívea em silêncio.

— Não. — Sua voz parecia tensa. — Muito obrigada pela preocupação, Sr. Valente.

— Sr. Valente? — Gerson a olhou. — Você está bem mais distante, após todos estes quatro anos.

Nívea cerrou os lábios, em silêncio.

Não sabia o que falar e nem devia falar algo.

Perguntar a ele o motivo de a ter enganado?

Ou se ele estava namorando enquanto a deixou ser torturada naquele porão?

Ou se aquilo dos filhos bastardos serem criados como reserva de órgãos era de verdade?

Cada uma das perguntas como uma faca na garganta, mas que ela não poderia baixar.

O silêncio reinou entre ambos.

O som da brisa movendo o bambu vindo da janela piorava toda a solidão em volta deles.

— Como você tem passado nestes anos? — Ele perguntou, o tom natural, parecendo estar apenas interessado no dia a dia.

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