— Certo.
Natanael deu um tapinha no ombro dela: — Não se preocupe, pode contar comigo.
...
No dia seguinte.
Num clube sofisticado em Costa Azul, a sala privada era elegante e luxuosa, envolta em um charme clássico. Gerson Valente estava sentado à mesa de chá de mogno, com a mão relaxada sobre o apoio de braço.
Henrique Valente chegou atrasado com pressa. Ao entrar na sala, logo viu o irmão mais velho com cara de "magoado de amor", tirou o casaco e sentou-se na frente dele.
— O que foi?
— Nada.
— Me chamou aqui à toa?
— Você veio a Costa Azul a trabalho. O seu irmão mais velho não pode te chamar para sair? — Gerson Valente olhou para ele.
— Eu achei que você iria acompanhar a filha da família Xu e até pensei em não te incomodar. Não esperava que você me procurasse primeiro. — Henrique Valente tinha cabelo preto curto, postura relaxada, um sorriso no canto da boca e um tom de brincadeira extremamente sarcástico.
Gerson Valente acendeu um cigarro e olhou para a noite lá fora: — Não estava com ânimo.
Henrique Valente olhou para ele: — A Srta. Xu?
Gerson Valente: — Com tudo.
Henrique Valente riu com o comentário: — Você devia explicar o que procura para a bonitona da nossa tia. Assim ela pode escolher melhor para você.
Gerson Valente virou a cabeça e olhou para ele, sem dizer nada. Só observou.
Henrique Valente foi encarado por um tempo e arqueou as sobrancelhas: — O que foi? Vai dizer que o meu irmãozinho gosta do meu tipo?
— Não, é só inveja de você.
— Inveja? Por que você diz isso?
— Pela língua solta e jeito mulherengo. Quando você abre a boca, a família toda acata as suas vontades. O Senhor Augusto Valente, inclusive.
Henrique Valente contra-atacou na mesma hora: — Irmãozinho, concordo que sou boca dura, mas de onde você tirou que eu sou mulherengo? Sou muito comportado.
— E quem é que vai acreditar? — Gerson Valente sorriu, o que era algo raro para ele. — Você é o rei das fofocas e escândalos.
Henrique Valente deu um sorriso e disse num tom sério, com o olhar mais cortante e frio: — Aquilo tudo é só pela popularidade do investimento. Eu acabei de abrir uma empresa e só preciso que saiam notícias. As coisas que podem gerar lucro podem continuar rolando. Se não, eu já teria contratado gente pra moderar essas fofocas.
Henrique Valente tinha um jeito próprio de empreender.
Henrique Valente viu os documentos na mão dele e ergueu um pouco o queixo: — O que é isso?
Lucas Mendes hesitou por um momento e rapidamente respondeu: — Documentos para dar ao chefe daqui a pouco.
Henrique Valente era muito alto, mais ou menos da altura de Gerson Valente. Ele passou o braço pelos ombros de Lucas Mendes, apertou os olhos e disse algo que podia significar tudo ou nada: — Eu vi a sua cara agora a pouco. Pensei até que fosse fofoca das amantes do meu irmão mais velho.
Lucas Mendes disse às pressas: — Não é. O chefe sempre soube se cuidar.
Será mesmo?
Ele tinha ouvido que, quando trabalhava na Filial Riviera, ele mantinha secretamente uma garota.
— Tá bom. Pode entrar. — Henrique Valente parou de provocar.
Lucas Mendes suspirou de alívio. Os dois irmãos da família Valente eram espertos, cada um à sua maneira, de forma explícita e oculta. Toda vez que os dois se juntavam, ele achava difícil lidar com eles.
Entrou na sala.
Lucas Mendes entregou o documento: — Chefe. Esses são os arquivos dos pais da Srta. Nívea Lemos, mas...
— Mas o quê?

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