E agora o Gerson mudava de ideia!
Aquele moleque não dava sossego mesmo!
O cara com trinta anos, por que precisava ser tão exigente?
— Eu acho que o Gerson já deve ter outra! — Bárbara bufou.
— Como assim? — Regina respondeu.
— E como não? — O rosto de Bárbara fechou. — Um projetinho turístico desses, e ele passa esse tempo todo em Serra Doce e ainda não voltou! Sem contar que, quatro anos atrás, não foi você que disse que ele andava com uma estudante?
Ao escutar isso, a expressão de Regina ficou um tanto mais rígida.
Seria mesmo isso?
Regina olhou para o nada com malícia; ela não ia deixar que qualquer zé ninguém de fora estragasse o casamento que tinha armado com tanto suor!
...
Na calada da noite, Nívea e Natanael chegaram a Monte Verde com Sophia.
Eles se hospedaram em um hotel de estrada.
O plano era partir logo cedo para uma cidadezinha de clima agradável, onde havia flores mesmo no inverno.
E ficariam lá por um tempo.
Era a primeira vez que Sophia passava tanto tempo no carro. Assim que Nívea lhe deu um banho, a pequena deu um beijo no seu rosto, desejou boa noite como de costume, se jogou nas cobertas e, quando fechou os olhos, apagou.
Natanael não tinha uma mão e a outra estava envolvida por um suporte fixo. Nívea virou-se e o viu puxando as bandagens com os dentes, tentando arrancar o suporte.
— Eu te ajudo.
Nívea aproximou-se rápido e espremeu uma toalha para limpar seu rosto.
Natanael esticou o pescoço e deu um sorriso: — Não precisa, só me ajude a tirar.
— Não curou ainda, não pode tirar.
— Foi só uma luxação, isso aqui é só para ajudar, não tem problema. Amanhã eu coloco de volta. — Ele sabia bem, tinha quebrado o próprio braço.
— Tem certeza?
— Tenho.
— Tá bom, então.
Nívea abaixou a cabeça e o ajudou a soltar o suporte.
Natanael era alto, devia ter um metro e oitenta e sete, e era magro. A pele não era branca nem negra, mas perto de Nívea parecia logo mais escura.
Natanael abaixou os cílios e olhou para a pessoa concentrada à sua frente. Seu olhar duro e constante ganhava sem querer um tom mais doce.
— Ainda dói? — Nívea perguntou.
— Um pouco. — Natanael respondeu em voz baixa.
Depois, pegou o celular e mandou uma mensagem para seu subordinado.
[Resultado do exame?]
Vitor viu e digitou as letras devagar: [Chefe, já tentei apressar, mas só vai sair amanhã à noite.]
Gerson atirou o celular de lado e virou a taça de vinho de uma vez só.
Ele desceu várias taças.
Ele fixou o olhar no anel em seu mindinho, recordando o tempo em que Nívea estava com ele.
Nívea era de gênio dócil, detalhista, sempre sorridente e praticamente fazia todas as suas vontades. Ela tinha dezenove anos e quando precisava dele, abraçava-o logo que ele entrava pela porta, beijava seu pescoço devagar e só então o chamava para jantar.
Dos dezenove aos vinte e dois anos, ela costumava ter sempre um sorriso leve no rosto.
Mas quando a encontrou novamente no Distrito das Tulipas, ele não viu o sorriso nenhuma vez.
Um sentimento tão vivo, ardente e verdadeiro; ele havia experimentado isso tudo, de verdade.
Tanto que os dias após perdê-la se tornaram monótonos, frios, totalmente dormentes.
As horas difíceis correram da noite para a madrugada, e da madrugada para o entardecer.
A espera era como uma agulha, e Gerson já estava agoniado e de pé, prestes a ir atrás de Nívea de uma vez, quando as coisas aconteceram.
Vitor finalmente pegou o relatório digital.

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