Vitor prendeu a respiração, fechou os olhos, foi para o resultado e abriu de novo na mesma hora.
— 99,99%.
Não havia qualquer margem para dúvidas!
Ele foi imediatamente procurar o chefe.
Ao ver o resultado, os dedos de Gerson tremeram levemente.
O olhar continuava preso naquelas cifras.
O crepúsculo entrava pelas janelas até o chão, contornando o rosto dele e o deixando cortante como uma faca.
Por um segundo, seu sangue parecia subir à cabeça e logo cair espalhando por todo o corpo. Ele levantou rápido e, com a voz completamente rouca, disse: — Prepare o carro.
Na frente do prédio de Nívea.
A noite já caía, e a trupe deles chamaria muita atenção, então Gerson apenas deixou Vitor subir com ele.
Ao chegar na porta da casa dela.
Gerson tentava manter-se tranquilo, respirando fundo várias vezes antes de bater.
Ele se perguntou o que deveria dizer.
Perguntar como foram os últimos anos?
Perguntar se ela gostaria de voltar para a capital com ele?
Mostrar o teste de paternidade de uma vez?
Ou deveria não chamar muita atenção e fingir que só queria falar sobre o machucado da perna?
Todo o raciocínio do homem simplesmente excluiu a pessoa do Natanael da equação.
Na cabeça não tinha ninguém além de Nívea e a filha.
Porém Nívea tinha muita relutância com relação a ele.
Pensando e repensando, a longo prazo, Gerson queria primeiro aliviar a tensão na relação dos dois e, passo a passo, consertar os sentimentos, fazer as pazes como no passado, e então levar ela e a filha para a capital.
Afinal de contas, ainda ia ser preciso cuidar da própria família.
Do contrário, a Família Valente provavelmente interpretaria mal Nívea e a proibiria de entrar na casa.
O homem pensou com muita sensatez que o ideal era engolir os sentimentos agora, trazer só a conversa da perna e depois falar da criança.
O que não esperava—
A porta foi batida várias vezes e ninguém atendeu.
Vitor mandou uma mensagem para que os homens dele procurassem a administração e pedissem as imagens de segurança.
Um tempo depois, um dos caras respondeu.
— Chefe. — Vitor pensou e pensou: — A Srta. Lemos não parece estar em casa.
O telefone só estava desligado.
Ele lembrou de forma inevitável há quatro anos atrás, que depois do término não conseguia entrar em contato com ela de jeito nenhum.
E quando por fim conseguiu.
Ouviu a voz de um homem do outro lado da linha...
— Acha, eu quero a localização exata. — Só de pensar em Natanael, Gerson ficava inexpressivo, a voz fria e carregada de uma raiva submersa. — Ao encontrar, tragam Nívea e a criança para me ver. Se houver resistência, traga primeiro a criança, para que ela me procure.
— Tudo bem, chefe.
Gerson nem percebeu como entrou no carro; só o que lhe vinha à cabeça era a imagem de Nívea e Natanael indo embora com a criança.
Era a sua filha.
Sophia era a sua filha.
O término quatro anos atrás fez com que ela sentisse tanto nojo assim? A ponto de nem falar sobre algo como a própria gravidez?
Gerson sentiu uma agulhada por vez em seu peito, e o vento frio entrou pelas janelas. Seus olhos ficaram subitamente doloridos, embora não chorasse, mas seu coração estava estraçalhado.
...
Por outro lado, Regina também tinha começado a vasculhar Nívea.
Ao longo dos anos, ela mantinha um olho oculto na vida afetiva de Gerson. Com exceção daquela aluna quando trabalhava em Riviera, não tinha visto mais nenhuma outra; ele só estava atolado nos afazeres do Grupo.

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