E pensando bem, a única maneira de investigar era através de Nívea.
E não foi surpresa alguma que os resultados chegassem.
Nívea estava no Distrito das Tulipas, e a empresa na qual estava trabalhando era a agência turística que o Grupo Valente comprou.
O que explicava porque depois que a viagem terminava.
Gerson não retornava à capital.
Ele até mesmo jogou fora o casamento com a família Couto sem a menor cerimônia.
Tudo apontava para o mesmo motivo!
Esta mulher era uma praga. Não servia pra nada há quatro anos e hoje também não; andava na aba de Gerson feito uma parasita, sem nenhuma vergonha.
Regina se desfez em fúria e logo pegou o telefone para ligar para a irmã, Dona Otília.
— Minha irmã, agora eu finalmente entendo por que do nada ele dispensou o casamento!
Dona Otília mexia nos arranjos florais no pátio e riu assim que ouviu a pressa da irmã mais nova: — Eu sei que você tem pressa com o casamento de Gerson, eu também tenho, afinal de contas, é um homem de trinta anos. Mas se ele não gostou, também não vou fazer ele se amarrar à força, concorda?
— Minha irmã, não seja ingênua! Aquela estudante universitária de quatro anos atrás também está no Distrito das Tulipas!
A mão de Dona Otília, segurando as flores, congelou de repente; ela largou tudo e foi logo para dentro: — O que você disse?
— Aquela garota, Nívea.
— Ela está no Distrito das Tulipas?
— Isso mesmo! Senão, por que o Gerson ia perder tanto tempo em um projetinho pequeno assim? Foi só por conta daquela moça!
— É ela mesmo? Tem certeza que ela está no Distrito das Tulipas? — Dona Otília fez a pergunta de modo muito formal.
— Absoluta! — Regina disse.
O rosto de Dona Otília fechou consideravelmente. Ficou calada e só respondeu: — Entendi. — Em seguida, ela derrubou a ligação.
Gerson ainda não tinha chegado no hotel quando a ligação de sua mãe tocou.
Não se enrolou nem um pouco, sendo muito clara, e disse diretamente a ele: — Fiquei sabendo que aquela menina, Nívea, está no Distrito das Tulipas?
A mão do homem agarrou o telefone, suas juntas aos poucos iam ficando brancas: — Quem contou pra senhora?
— Gerson, você já tem trinta anos. Podia brincar quando tinha vinte e poucos, e eu nunca te falei nada, mas agora não dá para brincar. Você entende muito bem isso, não entende? — Dona Otília foi muito expressiva.
— Brincar? — A voz de Gerson saiu praticamente em um múrmuro, com um sorriso de escárnio brotando em silêncio. — Desde a minha infância, tudo o que vocês pediam eu fazia; agora eu tive um amor na vida, e preciso carregar as pechas de quem "brinca"?


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