O elevador continuou a subir e ninguém abriu a boca, o que deixou o ambiente extremamente silencioso.
Júlia não sabia o que dizer, e Carlos não sabia se deveria falar.
Por fim, foi Carlos quem quebrou o silêncio, falando primeiro: — Sra. Viana, está se adaptando bem nestes últimos dias?
— Estou sim — respondeu Júlia. — O ambiente e os colegas são muito bons.
— Que bom.
Com a conversa iniciada, o clima não estava mais tão constrangedor como antes. Júlia e Carlos trocaram mais algumas palavras. O elevador logo chegou ao vigésimo quinto andar. Após se despedir, Júlia saiu primeiro.
Assim que ela saiu, Dante, com um leve tom de dúvida, perguntou a Carlos: — Ela... estava com medo de mim agora a pouco?
— Hã? — Carlos demorou um pouco para processar. Não sabia que o Sr. Tancredi se importava com esse tipo de coisa.
Na empresa, ele era famoso por ser frio. Antes, tantos diretores e executivos morriam de medo na frente dele, e ele nunca havia perguntado aquilo. Por que estava prestando atenção nisso hoje?
Ele tentou sondar, dizendo: — Como o senhor percebeu isso?
Ao ouvir essas palavras, a expressão de Dante ficou gélida. Como percebeu? Algo tão óbvio, como ele não veria?
Depois de entrar no elevador, ela ficou longe dele o tempo todo, não trocou uma palavra com ele durante todo o trajeto, e, quando saiu, nem sequer o olhou. De que mais precisaria para perceber?
Ele ficou ligeiramente irritado: — Apenas diga se é ou não.
Talvez ela nem estivesse com tanto medo no começo, mas se fosse perguntar, a assustaria ainda mais.
— Não se intrometa nisso.
— Certo, entendi. — Carlos respondeu rapidamente. Embora não entendesse o motivo, pelo menos sentia que tinha escapado de uma enrascada.
Ao entrar no escritório, Júlia primeiramente organizou as tarefas do dia, terminando logo as coisas urgentes e importantes, e então se preparou para reunir a equipe do projeto para uma reunião de rotina, a fim de discutir o progresso atual do projeto e os problemas enfrentados.
O horário foi marcado para as dez, mas quinze minutos se passaram e Célio ainda não havia aparecido. Júlia pediu a outros colegas que lhe cobrassem. Surpreendentemente, após o telefone tocar duas vezes, foi desligado.
Dez minutos depois, Célio finalmente apareceu sem a menor pressa na porta da sala de reuniões. Assim que se sentou, começou a reclamar: — Que assunto não pode ser falado por telefone que exige uma reunião? Não sabe o quanto estamos ocupados? Diferente de certas pessoas, cujo trabalho o dia inteiro é beber chá e fazer reuniões, sem nenhum assunto importante, só sabem usar uma pena de galinha como decreto imperial para dar ordens.

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