Suas palavras foram muito diretas e miraram Júlia sem rodeios. Por um instante, a sala de reuniões ficou em silêncio e ninguém ousou dizer uma palavra.
Júlia, é claro, também percebeu a indireta. Ela era nova ali, e logo de cara ocupou um cargo tão alto. Provavelmente não era só Célio; outros presentes na sala também deviam pensar assim, apenas não tinham verbalizado.
Sem alterar a temperatura da voz, ela devolveu o comentário: — Se há trabalho a ser feito, a reunião é necessária, senão não saberemos se o trabalho está realmente sendo feito. Já que é assim, na próxima vez, seria melhor que o gerente Célio determinasse o horário, para não ser inconveniente e não desperdiçar o tempo de todo mundo aqui esperando.
Ouvindo isso, Carlos quis dizer algo, mas foi contido por um colega ao seu lado, que interveio para aliviar a tensão: — Já que estão todos aqui, vamos começar.
Na reunião, Júlia perguntou individualmente sobre o progresso das tarefas de cada um. Todos colaboraram bastante e já tinham os materiais preparados antecipadamente, de forma que a reunião prosseguiu muito bem. O problema surgiu de novo justamente quando chegou a vez de Célio.
Ele não tinha preparado nenhum material e respondia de maneira negligente às perguntas de Júlia. A resposta para todos os questionamentos era a mesma frase: — Eu já tenho tudo planejado, tudo está correndo perfeitamente.
Júlia não deu atenção à atitude dele e continuou questionando detalhes: — A lista preliminar de fornecedores já está pronta?
Célio continuou demonstrando pouco interesse: — Ainda não.
— Quando ela sairá?
— Sempre são os mesmos, qual é a pressa? Quando chegar a hora, ela estará pronta.
— E o processo específico de avaliação?
No fim da reunião, todos foram saindo pouco a pouco, exceto Célio. Ele ficou de propósito esperando por Júlia. Quando a sala esvaziou, aproximou-se intencionalmente e falou com Júlia: — Você não está me perseguindo, está?
Seus olhos estavam vermelhos, e ao falar, vez ou outra ele soluçava, mostrando claramente que estava com ressaca. Júlia franziu a testa, afastando-se um pouco: — Minhas decisões são voltadas ao trabalho, não às pessoas.
— Que bela justificativa de "trabalho e não pessoas" — Célio riu. — Garotinha, faz quanto tempo que você chegou para fazer tanto alvoroço? Você entende a Virtus BioTech? Conhece a gente? Sabe quais são as regras específicas de operação aqui?
— Eu não preciso entender nada disso, eu só preciso entender o projeto e isso basta.
— Tudo bem, você tem fibra — Célio continuou rindo. — Mas eu vou te dizer, o buraco aqui é mais embaixo do que você imagina, e as coisas são bem mais complexas. Trabalho nesta área há tantos anos que já comi mais sal do que você comeu de arroz.

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