Na mesa de jantar, a conversa era praticamente entre ela e Dona Campos. Nas raras vezes em que Lucas interferia, Júlia parava de falar e comia em silêncio para evitar qualquer contato com ele.
Uma reação tão óbvia foi percebida por Dona Campos, e claro, também por Lucas. No entanto, ele não se importava muito, soltando apenas um riso leve.
Nisso, trouxeram a canja de galinha ensopada. Um empregado serviu primeiro Dona Campos e depois Lucas. Mas, ao receber a tigela, em vez de tomá-la, ele a passou para Júlia.
Júlia agiu como se não tivesse visto. Ela ignorou-o completamente, virando-se para falar com a matriarca: — Vovó Eleonora, esta verdura está muito boa, experimente.
Sabendo que ela fazia aquilo de propósito, Lucas não ficou ofendido; em vez disso, mexeu a sopa com uma colher e a estendeu de novo para ela.
Júlia continuou a não pegar a tigela, fingindo não ver.
Os dois permaneceram naquele impasse. Um oferecendo e o outro se recusando. Os empregados próximos assistiam à cena um pouco desconfortáveis, mas não ousavam dizer nada.
Por fim, foi Lucas quem não conseguiu aguentar. Ele tentou colocar a tigela de maneira forçada na frente dela. Júlia não obedeceu; ergueu o braço e empurrou com a mão, bloqueando a tigela de sopa.
Ela havia colocado força e não se importou com a direção. Com o movimento abrupto, o caldo derramou e espirrou pelo terno de Lucas, formando instantaneamente uma mancha gigante.
Os empregados ficaram assustados e logo correram para limpar. Júlia, contudo, não expressou nada; apenas observou-os enquanto se ocupavam e, quando seu olhar recaiu sobre Lucas, era carregado de uma óbvia impaciência.
A mancha era grande demais para ser limpa ali. Lucas teve que sair temporariamente da mesa. Antes de partir, lançou um olhar para Júlia, e era um olhar complexo; havia choque, raiva e também um traço de diversão que ela nunca tinha visto antes.

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