[Venha para o meu escritório imediatamente.]
Júlia já pretendia procurá-lo, então não ligou muito para aquele tom. Depois de arrumar suas coisas, saiu da cafeteria.
Dez minutos depois, ela chegou à sala de reuniões de Lucas. A porta estava aberta. Ela bateu duas vezes e entrou diretamente. Mas, ao entrar, não o viu. Seus olhos varreram o local até que percebeu que ele estava não muito longe dali, em frente à janela do chão ao teto, falando ao telefone.
Se fosse antes, ao se deparar com essa situação, Júlia com certeza recuaria aterrorizada na mesma hora, esperando silenciosamente do lado de fora. Nunca ousaria entrar sem que Lucas a chamasse. Mas, agora, ela não se importava.
Encontrando um lugar qualquer na área de recepção ali perto, Júlia se sentou e pegou o celular para olhar as mensagens enquanto o aguardava.
Ao desligar o telefone, Lucas se virou e, vendo aquela cena, não pôde deixar de franzir a testa. Que truque aquela mulher estava tentando fazer agora? Antes, ela nem ousaria se sentar diretamente, muito menos olhar em seus olhos; quando falava com ele, ficava com a cabeça baixa e o rosto vermelho até o fim da conversa.
Será que isso era ela se fazendo de difícil para atraí-lo?
— Júlia — chamou ele, como um lembrete e também um aviso. — Ouvi dizer que você estava muito arrogante hoje.
Júlia levantou os olhos e encontrou o olhar dele, nem submissa nem arrogante:
— Ao que você está se referindo?
— Ao que estou me referindo? — Lucas deu uma risada fria. — Oprimiu colegas, ignorou as regras da empresa e até pediu que a diretora limpasse a sua bolsa. Você estava bem arrogante.
Ao ouvir isso, Júlia sentiu que ia rir de raiva. Quem exatamente seria capaz de distorcer os fatos daquela forma e quem teria a habilidade de contar-lhe aquilo? O resultado era bastante óbvio.
Sendo assim, não fazia sentido se explicar. E, julgando pela atitude dele, ele já a havia condenado completamente.
Júlia se levantou, mas o movimento repentino causou uma dor aguda em seu joelho, fazendo-a soltar um pequeno gemido involuntário.
Ela, por hábito, olhou para Lucas e notou que, naquele momento, as sobrancelhas dele estavam franzidas em profunda impaciência, o que a fez ranger os dentes e ficar reta na hora.
— Você me chamou aqui só para falar disso?
Lucas olhou para ela, os olhos escuros e indiferentes:
— Aqui não é o seu lugar, volte logo para Porto Belo o quanto antes.
Júlia teve vontade de dizer que de forma alguma queria ficar ali. Se não fosse pela transição de trabalho, ela adoraria sumir do Grupo Campos agora mesmo. Mas, ouvindo-o dizer aquilo, foi inevitável sentir algo:
Enquanto falava, ela tirou os Papéis do Divórcio da bolsa e os colocou sobre a mesa:
— Isto é...
As palavras mal haviam saído quando o celular de Lucas tocou de repente. Ele atendeu imediatamente, com um tom de voz gentil:
— Valentina.
— Estou no escritório.
— Não estou ocupado, pode falar.
Olhando para as costas dele ao se virar, Júlia deu um sorriso amargo. Ela não esperava que, no final, nem tivesse a chance de lhe falar pessoalmente sobre o divórcio. Então apenas deixaria ali; de qualquer forma, ele veria quando desligasse.
Após desligar a ligação, Lucas olhou para trás e viu que Júlia já havia saído. Que falta de modos.
Ele estava furioso e, olhando para os documentos que ela deixara em sua mesa, seus olhos assumiram uma cor fria e sombria. Não precisava nem olhar para saber que com certeza era mais um truque para chamar sua atenção. Lucas não se deu ao trabalho de ver; simplesmente pegou tudo, inclusive o envelope, e jogou no triturador de papel.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Fui a Esposa de Fachada do Bilionário — Até Pedir o Divórcio e Ver Ele Perder o Controle