Ele já tinha aprovado tão rápido?
Júlia ficou chocada e com o coração doendo. Pelo jeito, ele já queria que ela fosse embora há muito tempo.-
— Quem permitiu que você voltasse? — O homem à sua frente, Lucas Campos, falou de repente.
O tom era indiferente e as palavras, geladas, exatamente como nos telefonemas de sempre.
Esse era o Lucas que ela conhecia.
— Eu te disse no telefone ontem. — Júlia tentou não olhar nos olhos dele, evitando ser ferida por aquela frieza afiada.
— E eu concordei?
— Eu já disse, minha mãe ficou doente.
— E daí? — Lucas olhou para ela friamente. — A empresa tem que pagar pelos seus problemas emocionais?
O olhar dele sempre fora assim: apático, sem emoção, um completo descaso: — Vá até a empresa e receba sua punição.
Punição?
Na verdade, Júlia queria dizer que não precisava, afinal, ela já havia pedido demissão. O que ele ainda poderia fazer com ela? Mas se dissesse isso, com certeza haveria uma discussão, e ela tinha coisas mais importantes para resolver no momento.
— O assunto da punição eu resolverei com o RH da empresa, mas vim aqui hoje por outro motivo.
— Se tem algum problema, fale com a babá. — Era claro que Lucas não queria continuar a conversa com ela. Olhou para o relógio e se preparou para sair.
Vendo que ele estava de saída, Júlia não fez rodeios: — Eu preciso de dinheiro agora.
Ao ouvir isso, Lucas primeiro parou e depois franziu a testa: — Quanto?
Com essa pergunta, Júlia achou que havia esperança. Seu coração, até então sob tensão, pareceu finalmente encontrar alívio, e o tom de sua voz suavizou-se sem que percebesse: — Um milhão e setecentos mil.
Mas Júlia não conseguiu verbalizar nenhum desses motivos no momento. Ao deparar com o olhar frio e irônico de Lucas, sentiu que, se os expusesse, só passaria por mais humilhação.
— Considere que estou pegando emprestado, pode ser?
— Emprestado? Como vai me pagar?
Ela já tinha dado um passo para trás, mas não imaginava que Lucas ainda fosse tão implacável. Júlia ficou ansiosa: — Então posso adiantar meu salário e o bônus de fim de ano, não posso?
— Quando seu salário for capaz de quitar esse um milhão e setecentos mil, imagino que você saiba melhor do que eu. — Lucas ainda mantinha a mesma atitude indiferente.
Os olhos de Júlia arderam, enquanto a mágoa e a dor no peito surgiam juntas: — Lucas, há necessidade de ser tão cruel?
— Cruel? — Lucas baixou o olhar para ela, como se olhasse para uma pessoa completamente estranha. — É você que não tem clareza sobre qual é a nossa relação.
Relação? Que relação eles tinham? Júlia queria perguntar: a relação entre os dois não era um casamento no sentido legal? Ou ela nem sequer era melhor que uma estranha?

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