Mas antes que a pergunta pudesse sair, ouviu-se de repente o choro angustiante de um cachorro no andar de cima. Júlia sentiu um calafrio na mesma hora.
Antes de ser transferida para Porto Belo, ela criava um cachorrinho, que chamara de Bolinha. Porém, como não era conveniente levá-lo junto quando se mudou, deixou Bolinha para trás e encarregou a babá da casa de cuidar dele. Agora, como a babá dali já tinha sido substituída, e Bolinha...-
Sem se importar mais em discutir com Lucas, Júlia correu direto para o andar de cima. Contudo, quanto mais se aproximava, mais agoniantes ficavam os uivos do cachorro; ela estava ansiosa e com o coração na garganta.
Finalmente, viu a figura do cachorrinho na curva do corredor: era, sem dúvida, o seu Bolinha. Mas a cena diante de seus olhos quase a fez perder o controle e gritar.
Porque, além de Bolinha, também estavam no corredor Valentina e Arthur Campos.
Valentina estava parada de braços cruzados ao lado, enquanto Arthur estava montado em cima de Bolinha, chutando e batendo sem parar. Enquanto batia, ele não parava de xingar: — Mulher gorda, mulher feia, você não merece ser a minha mãe!
Júlia não conseguia acreditar no que via. Perdendo o controle, gritou: — O que vocês estão fazendo?!
Ao ouvir o grito, Arthur nem sequer interrompeu o que fazia; apenas deu um olhar gélido a Júlia e continuou a bater.
Júlia não aguentou mais. Correu até eles, pegou Arthur pelo colarinho e depois abraçou Bolinha, acariciando-o e consolando-o de leve. Infelizmente, Bolinha já estava com o olhar vago, em seus últimos suspiros e sem nenhum traço de vida.
E agora, de perto, Júlia notou que havia uma foto colada na testa de Bolinha. Um fundo vermelho vibrante, blusa branca: o que mais poderia ser além da foto de registro de casamento dela e de Lucas?
Com o coração partido, Júlia acariciou a cabeça dele e o confortou por um bom tempo até que Bolinha finalmente se acalmou. Júlia não tinha tempo a perder com ela. Dada a situação de Bolinha agora, precisava levá-lo ao veterinário primeiro.
Ela se preparou para sair, mas, quando virou as costas, ouviu a voz de Valentina mais uma vez: — Júlia, você não está à altura do meu irmão.
Dessa vez, além do sarcasmo, havia também pura provocação. A maneira como soava, ela não parecia a irmã de Lucas, mas sim sua admiradora.
Júlia olhou para ela com frieza: — Se estou ou não à altura, não é você quem decide. — Ela estava determinada a não aguentar mais calada. — Foi ele quem tomou a iniciativa de propor casamento para mim no início.
Mas quem diria que, ao ouvir isso, Valentina não só não se zangou como o brilho de orgulho e sarcasmo em seus olhos se aprofundou: — É mesmo? Então você devia ver por quem ele fez isso.

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