Quando ela apareceu novamente no Condomínio Lago Esmeralda, a babá ficou aturdida ao vê-la: — O que você está fazendo aqui?
Diferentemente de como ela havia agido de manhã, estava sendo mais rude e arisca, o que claramente significava que lhe disseram para se comportar daquele jeito. E em contraste, Júlia permanecia com mais calma: — Aqui é a minha casa, e por que eu não poderia vir?
— Sua casa? Essa é nova. — A babá deu um sorriso depreciativo. — Os únicos donos aqui são o jovem mestre e a jovem senhorita; e quem acha que é, para entrar se fazendo de dona?
Enquanto falava, a babá ia fechando a porta: — Saia rápido, ou vou chamar a segurança.
Júlia esticou a mão e encostou-a na batente da porta, com uma voz controlada e fria: — Para você ter coragem de falar isso, com certeza Valentina já falou um bocado de coisas sobre mim. Ela por acaso falou que tenho um temperamento violento, que me irrito muito fácil e de vez em quando perco a noção da força que emprego com a mão?
Com a deixa, fez de propósito um movimento para bater.
Conforme o esperado, a babá levou um susto e perdeu a cor num segundo.
Júlia observava friamente e nunca que podia adivinhar que a mulher fosse se assustar tão facilmente. Estava só de papo furado e a babá estava naquele estado. Isso significava que Valentina decerto a insultava o tempo inteiro.
— Abra a porta, eu só vim pegar as minhas coisas, assim que pegar, vou embora.
Daquele lugar, se ela não se encontrasse em circunstâncias forçadas, nunca quereria pisar.
Na época, quando esperava ter um casamento com Lucas, pensando em passar o fim da vida com ele, naturalmente tinha as suas maiores preciosidades guardadas em conjunto. Os álbuns, as fotografias e até várias prendas e recordações em formato físico que cresceu juntando e tinha apego de coração.
No presente, como ia embora para sempre, era vital guardar os itens e levá-los junto.
Júlia e a babá se entreolharam. A babá hesitou por um momento, mas acabou abrindo a porta.
Ao entrar, Júlia foi direto para o segundo andar.
Na época do casamento, ela achava que dormiria no quarto principal, então guardou todas as suas coisas nas gavetas de lá. Contudo, ao abrir a porta agora, percebeu que a disposição do quarto havia mudado completamente. Os móveis que escolhera com tanto cuidado já haviam sido trocados, e até as coisas que deixara nas gavetas haviam sumido.
— Onde estão as coisas que estavam aqui? — ela perguntou à babá, apontando para a gaveta. A mulher a seguira desde que ela entrara, vigiando cada passo, com medo de que levasse algo.
— Não sei. — A babá a observava com frieza e desprezo na voz.
— Não sabe? — Júlia deu uma risada de escárnio. — Tudo bem, então foi você quem pegou. Vou chamar a polícia agora mesmo.
Dito isso, ela pegou o celular, pronta para discar.
Vendo-a tão decidida, a babá, sem alternativa, a levou até o sótão resmungando.
Era um quartinho apertado e sem ventilação. A primeira sensação de Júlia ao entrar foi de abafamento, além de um cheiro de mofo que não saía. Ela olhou ao redor e viu suas coisas jogadas no chão de qualquer jeito. A maioria estava estragada, e as poucas intactas estavam cobertas por uma grossa camada de poeira.
Sem precisar pensar muito, Júlia já sabia quem tinha feito aquilo. Ela respirou fundo, forçou-se a manter a calma e começou a arrumar suas coisas rapidamente.
A voz de Arthur soou de novo: — Larga a foto, você não é digna de encostar nas coisas da minha casa.
— É mesmo? — Júlia sorriu levemente para ele e, em seguida, soltou a mão. Um som de estilhaço se fez ouvir; o porta-retrato caiu no chão, quebrando-se em mil pedaços. — Quando for contar pro seu papai, lembra de incluir isso também.
Um grito de Arthur ecoou atrás dela, mas Júlia ignorou. Ela afastou os cacos de vidro com o pé e saiu pela porta.
Naquele momento, os cacos de vidro no chão eram como o casamento dela, como a vida dela agora.
Completamente estilhaçados, repletos de desespero.
Mas não havia jeito. Algumas coisas precisam ser destruídas para serem reconstruídas. Para renascer, é preciso antes quebrar.
Ao sair do Condomínio Lago Esmeralda, Júlia ligou para um número. Era alguém com quem não falava há três anos; havia deletado os contatos e achava que a pessoa nunca mais olharia na cara dela.
Para sua surpresa, o telefone nem tocou por muito tempo e foi logo atendido. Porém, a voz do outro lado estava muito fria: — Alô.
— Sou eu, a Júlia.
— Eu sei. Precisa de algo?
— Bela... — A voz de Júlia estava anasalada e meio embargada. — Eu decidi me divorciar.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Fui a Esposa de Fachada do Bilionário — Até Pedir o Divórcio e Ver Ele Perder o Controle