— Ah, que tola.
Gabriel murmurou em voz baixa, com os olhos fixos nas costas de Sara enquanto ela se afastava.
Considerando o nível de fúria de Samuel Santos, não parecia, nem de longe, a atitude de alguém que não se importava com Clara Costa.
Ele havia tentado impedir que Sara entrasse agora justamente para o próprio bem dela. Se ela insistia em se atirar na linha de tiro, não poderia culpar mais ninguém.
— Samuel, fiquei preocupada com o seu rosto. Fui comprar uma pomada para o inchaço e uma bolsa de gelo. Deixe-me cuidar disso para você agora.
Sara caminhou até ele. Tirou a máscara do rosto, revelando a bochecha vermelha e inchada.
Ela não dava a mínima para os próprios ferimentos; sua única preocupação era Samuel.
Ela pensava que, ao contrário de Clara — que havia batido nele em público e o humilhado —, ela faria com que Samuel visse o quanto se importava, o quanto era dócil e compreensiva.
Mas antes mesmo que Sara pudesse se aproximar, Samuel apontou para a área dos sofás e disse, com a voz carregada e sombria:
— Sente-se ali. Tenho algo a lhe dizer.
O rosto de Sara congelou. Ela mordeu o lábio inferior.
— Samuel...
— Chame-me de Sr. Samuel. — Ele a interrompeu, o tom ainda mais gélido.
As lágrimas de Sara ficaram presas nos cílios.
— Desculpe, Sr. Samuel. Eu só queria ajudar a cuidar do machucado no seu rosto...
Samuel massageou as têmporas e, com um movimento de olhos, indicou novamente o sofá.
Sara não ousou desobedecer. De cabeça baixa, enxugando as lágrimas, caminhou até lá e sentou-se comportadamente.
A área dos sofás era destinada a receber visitas. Sara já havia visto Samuel receber clientes ali inúmeras vezes.
Naquelas ocasiões, ele era o empresário astuto e incisivo, que não cedia um milímetro.
O coração de Sara se apertou. Um pressentimento terrível tomou conta dela.
Instantes depois, Samuel também caminhou até lá.
O homem sentou-se em uma poltrona individual, cruzou as pernas e foi direto ao ponto.
— Pegue este cartão. A senha é a data do seu aniversário. Há cinco milhões aí. Agora saia, arrume suas coisas e não precisa mais voltar.
Sara arregalou os olhos. Ela jamais imaginou que o homem que, até poucos instantes atrás, a beijava com fervor dentro do carro, viraria as costas e diria palavras tão frias e definitivas.

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