O homem usava um terno de alta-costura. Tinha a pele clara, feições refinadas e usava óculos de aros dourados finos, o que lhe conferia uma aura de "aparência de intelectual, mas essência de canalha".
Ele era claramente alguém que adorava uma fofoca. Sem pensar duas vezes, largou a xícara de chá e, abandonando qualquer postura, colou o ouvido no biombo para escutar.
Não apenas espionava descaradamente, como também estreitou os olhos astutos e fez um sinal de silêncio para o homem inabalável sentado à sua frente, sussurrando:
— Tsc, tsc. Demos de cara com o barraco entre a esposa e a amante! Daqui a pouco a esposa vai jogar dinheiro na cara dela e mandar a amante sumir.
— Aposto três milhões. Quer apostar também? Se você perder, eu levo aquele Koenigsegg novo da sua garagem.
O homem à frente segurava uma xícara de porcelana verde, acariciando levemente a borda com seus dedos longos.
Seu olhar era indiferente. Ficava claro que ele não tinha o menor interesse na situação.
Gustavo Gonçalves o apressou:
— Rápido! Se eu perder, cedo 1% no nosso contrato!
Ao ouvir isso, o homem finalmente soltou uma risada de escárnio:
— Aposto que a esposa não vai dar um centavo.
Gustavo ficou sem palavras.
A diferença entre os palpites era absurda.
Ele balançou a cabeça e continuou sussurrando:
— Você vai perder feio! Felipe, você é especialista em pilotar aviões, mas de barraco de mulher você não entende nada.
— Se essa esposa não quisesse pagar nada e só quisesse bater na amante, ela não teria escolhido uma casa de chás tão discreta e de alto nível.
— Espere e verá. Minha experiência baseada em ler romances baratos e assistir novelas das oito nunca falha.
Em meio à névoa aromática do chá, Felipe pousou a xícara e bateu levemente com os nós dos dedos na mesa, sinalizando para Gustavo servir mais.
Gustavo se inclinou para encher a xícara, apenas para ouvir o homem dizer em um tom arrastado:
— Então é de tanto assistir a essas coisas que o seu cérebro apodreceu?
Gustavo: "..."
Com uma língua tão venenosa, para que beber chá?
Deveria pedir logo uma dose de cianeto para neutralizar o veneno da própria boca.
Do outro lado do biombo.
Clara ignorou completamente as palavras de Sara, que pareciam delicadas, mas transbordavam provocação.
Com movimentos calmos e calculados, ela levantou a chaleira, derramou a água quente sobre os utensílios para aquecê-los e purificá-los.
Largou a chaleira, usou uma pinça para descartar a água dos utensílios e só então começou a preparar o chá.
Com o aroma da infusão se espalhando, Clara empurrou uma xícara em direção a Sara antes de finalmente falar:
— Ninguém pediu para você deixá-lo. Prove o chá.
O rosto de Sara se encheu de desconfiança. Em contraste com a postura calma e serena de Clara, ela estava nitidamente perdendo o controle da situação.
— Sério? Já que não veio me dar um aviso e me mandar embora, não vai me dizer que me chamou aqui só para tomar chá?
Vendo que a outra não tocaria na xícara, Clara não insistiu.

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