Aquela silhueta caminhou lentamente das sombras em direção à luz.
Ela vestia um longo vestido de cetim vermelho, cujo corte ajustado envolvia sua figura incrivelmente esculpida e sedutora.
O design ombro a ombro expunha as linhas graciosas do pescoço e dos ombros. Sob o contraste do vermelho, a sua pele parecia ainda mais luminosa e translúcida. Repousando sobre as suas clavículas formosas, havia um colar de rubis de tirar o fôlego.
O vestido tinha um design estilo sereia, com a saia com fenda lateral que ondulava e se destacava como chamas a cada passo elegante, exibindo de forma sutil as pernas longas e esguias da jovem.
Enquanto ela avançava, a beleza deslumbrante que ela já possuía tornava-se ainda mais cativante com uma maquiagem refinada, roubando a cena facilmente e se transformando no novo foco das atenções.
Bianca havia enviado por correio um vestido preto para Clara, dizendo que fora escolhido pela própria Lídia.
Como Clara sempre valorizou os sentimentos e opiniões de sua família, e sendo o aniversário de Lídia naquela noite, Bianca estava certa de que Clara usaria o vestido preto obedientemente para agradar a mãe.
O vestido preto que ela mandara era de uma coleção antiga, e o modelo rígido esconderia completamente a beleza de Clara. Se ela aparecesse vestida daquele jeito, apenas atrairia desprezo e zombarias, além de causar a antipatia de Lídia.
No entanto, para o seu horror, Clara não havia vestido a roupa preta que ela lhe mandara. Pelo contrário, acabara escolhendo uma cor idêntica à sua.
Era óbvio o quanto o vermelho realçava os traços intensos do rosto de Clara, e o design macio e moldado ao corpo dava-lhe uma aura carregada de feminilidade, irradiando uma presença estonteante e altamente elegante.
De repente, Bianca em seu vestido de princesa vermelho pareceu se transformar em um mero palhaço ao ser comparada a ela. Ela desejou poder, ali mesmo, ordenar aos empregados que forçassem Clara a trocar de roupa.
Que ódio!
Bianca trincou os dentes de tanta raiva. A fúria e o ciúme fizeram suas feições se contorcerem por um breve momento.
— Ai, Bianca?
Lídia soltou um gemido de dor, e só então Bianca percebeu que havia apertado o braço dela com muita força sem querer.
Ela rapidamente soltou a mãe e disfarçou o incômodo, falando com um tom carregado de preocupação:
— Nossa família inteira está aqui, e a Clara entrou sozinha. Os convidados podem interpretar mal. Vou lá trazê-la para cá.
Ela retirou o braço do enlace com Lídia e Nicanor.
Lídia a conteve na mesma hora:
— Recebê-la para quê? Ela veio só para causar aborrecimento!
— A mamãe tem razão. Ela só quer que os convidados tenham do que rir. Não sei que vantagem ela vê nisso. É sempre tão sem noção! — zombou Bernardo.
Bruno franziu o cenho.
— Ela só está querendo aparecer. É ridícula e burra!
Nicanor permaneceu em silêncio com o rosto fechado, mas parecia endossar as opiniões da esposa e dos filhos.

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