— Quem foi que bateu no meu irmão, afinal?
Bianca suspirou, com os olhos vermelhos.
— Clara não sei com qual homem poderoso se casou. Ela trancou toda a nossa família num porão por dias e ainda soltou cobras para nos morder. Quase morremos todos na água suja e gelada daquele porão. Meu pai e minha mãe continuam internados com febre, tomando soro, e a polícia não fez nada. Tia e Sofia, Samuel tem razão em não querer envolver a polícia. É melhor deixar isso para lá.
Ela não disse diretamente que foi Clara quem fez isso, mas cada palavra que dizia instigava ainda mais o ódio de Joana e da filha.
— Eu sabia que tinha que ser aquela piranha! Que maldição, como a nossa Família Santos foi arrumar um traste desses! Já não bastava ela fazer o Samuel ser chamado de colecionador de lixo pelos últimos dois anos, ainda matou meu netinho. Ela está querendo matar o Samuel também?
Joana praguejou furiosa, e Sofia também bufou, cheia de ódio:
— Ela é tão baixa que mal se divorciou do meu irmão e já encontrou outro patrocinador. Quem sabe ela já não tinha colocado um belo par de chifres na cabeça do meu irmão bem antes! De que adianta não envolver a polícia? Nós mesmas vamos resolver isso com ela!
Na última vez, Clara bateu nela com o salto alto, deixando o corpo todo dela doído, e ainda fez ela e sua mãe virarem motivo de piada entre as madames da alta sociedade.
Nos últimos dias, a mãe dela estava tentando encontrar novas pretendentes ricas para o irmão. Mas as meninas que agradavam sempre inventavam desculpas para recusar. Tudo por culpa de Clara.
Sofia guardou muito bem cada uma dessas ofensas.
Bianca segurou as duas mulheres, que agiam de modo impulsivo:
— Tia e Sofia, vocês deviam me ouvir. Clara tem gente poderosa por trás dela no momento, não é bom mexer com ela. Como a avó de Clara está internada em um hospital aqui na Cidade Litoral, seria melhor se vocês fossem até lá e pedissem para ela convencer Clara a esquecer o ódio, deixar Samuel em paz e cada um viver a sua vida daqui em diante.
Baía dos Bordos.
Depois do trabalho, Felipe apertou o andar onde Clara morava diretamente no elevador.
Henrique seguiu o chefe e desceu do elevador logo atrás dele.
— Sr. Felipe, de agora em diante o senhor sempre morará aqui na casa de sua esposa?
Felipe não parou de andar.
— E qual é o problema?
Casar e ir morar na casa da mulher; o chefe deles comia pelas beiradas mesmo, não havia do que reclamar.
Henrique assentiu com a cabeça:
— Sem problemas, problema nenhum.
O homem já estava na frente da porta com as suas pernas longas. Desbloqueou-a com a impressão digital e, ao entrar em casa, virou a cabeça e disse para Henrique:
— Pode voltar para a sua casa.
Clique.
A porta foi fechada suavemente. Henrique continuou parado diante dela, com a mente inundada de pontos de interrogação.
Então, afinal de contas, por que o Sr. Felipe mandou que ele viesse até aqui?
Só para vê-lo abrir a porta e entrar?

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