Clara caminhou até a janela, tirou uma foto do carro de Samuel que ainda estava estacionado lá embaixo, abriu o WhatsApp de Sara e enviou a imagem.
Esperava que Sara não a decepcionasse e conseguisse prender a atenção de Samuel esta noite.
...
A noite estava silenciosa e tranquila.
Clara estava deitada na cama, com o olhar fixo na tela do celular.
A luz brilhante a fazia semicerrar os olhos, mas a transmissão ao vivo da câmera de segurança na tela machucava seus olhos muito mais do que a claridade.
Era a sala de estar da Mansão Nuvem Perfumada.
O homem estava reclinado no sofá. A mulher vestia uma fantasia sensual de empregada.
Nojento. Revoltante.
Absurdo. Desolador.
Mas Clara continuava encarando o celular. Ela não desviou o olhar; precisava ver tudo com clareza suficiente para que seu coração se tornasse puro gelo.
— Por que você ainda não dormiu? O que está assistindo...?
Ao seu lado, Tatiana acordou grogue e, percebendo a luz, abriu os olhos e espiou a tela.
No segundo seguinte, ela despertou de vez. Com uma expressão de choque e desespero, tentou arrancar o celular da mão da amiga.
— Não olhe para isso! Só vai te machucar!
Para uma esposa, não há nada mais cruel e doloroso do que ver com os próprios olhos o marido cometendo atos íntimos com outra mulher.
No entanto, Clara levantou o braço, desviando da mão de Tatiana. Com o rosto anestesiado, ela disse em voz baixa:
— Por que não olhar? Foi para isso que você se arriscou no território inimigo. É a prova definitiva.
As fotos que Tatiana havia tirado antes não serviam como provas concretas de traição conjugal aos olhos da justiça, mas a Mansão Nuvem Perfumada era um bem comum do casal.
Era um direito legítimo dela instalar câmeras em sua própria casa. Ter flagrado a traição do marido em vídeo era apenas um “acidente”.
Isso tudo era prova irrefutável e válida judicialmente.
Os olhos de Clara ficaram vermelhos enquanto observava, pela tela, o homem puxar a mulher pelo cabelo, jogá-la de costas no sofá e se jogar por cima dela.
— Ah! Não, amor...
— Sua vadiazinha sonsa, dizendo uma coisa e querendo outra!
No fim, Clara não foi forte o suficiente. Ela pulou da cama e correu para o banheiro.
Era quase uma forma de autotortura. Ela assistia e vomitava.
Houve um momento em que ela sentiu como se todo o sentimento que já teve por Samuel estivesse escoando pelo ralo, junto com a descarga do vaso sanitário.
Sem qualquer expressão no rosto, ela cortou o trecho da gravação, salvou, fez o upload para a nuvem e voltou para a cama sob o olhar preocupado de Tatiana.

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