Clara deu um sorriso sutil.
— Não consegue nem servir um café direito. O que o Sr. Samuel está fazendo com tanta tolerância para uma estagiária?-
A expressão de Samuel suavizou.
Ele havia achado a atitude dela estranha, mas agora parecia apenas um ciúme de mulher. Nada que indicasse que ela tinha descoberto algo de fato.
Ele se curvou, apoiando as mãos no encosto do sofá, aproximou-se e a encarou com um olhar provocador.
— Está com ciúmes? Ela é só uma estudante que eu patrocino e veio fazer estágio. É jovem, não entende das coisas. Você vai mesmo implicar com uma garotinha?
Garotinha?
Samuel parecia ter esquecido que Clara também tinha apenas vinte e dois anos. Aos dezoito, ela já estava ao lado dele, desbravando o mundo e ajudando-o a erguer o império.
Naquela época, a Tecnologia Costa Santos era só uma equipe de menos de dez pessoas.
Ela começou como a secretária inexperiente dele e, entre tropeços e acertos, cresceu. Antes de pedir demissão, já era a diretora do departamento de Relações Públicas, capaz de resolver qualquer crise.
Uma vez, uma cliente dificultou sua vida e ela se escondeu para chorar. O que ele disse?
— Clara, já que você decidiu entrar no mercado de trabalho tão cedo, precisa estar pronta para apanhar. Ninguém vai ter tolerância com os seus erros ou com o seu mau humor.
E ela, inocente, ainda achava que a rigidez dele era para o seu próprio bem, para incentivá-la a crescer.
Mas a verdade era que ele não era incapaz de ter tolerância. Ele apenas não queria ter tolerância com ela.
...
Ao sair do arranha-céu, Clara parecia ter tido todas as suas forças drenadas. Caiu, exausta, num dos bancos da calçada.
Ela abaixou a cabeça e escondeu o rosto pálido entre as mãos.
Toda a racionalidade recuou, dando espaço para uma tristeza e um ódio que corroíam seu coração partido como veneno.
O sol se punha lentamente. A luz dourada desapareceu e o vento de outono trouxe consigo gotas geladas de chuva.
Folhas secas voaram e foram esmagadas na lama pelos carros que passavam, exatamente como o amor e a família aos quais ela tanto havia se agarrado.
Não se sabe quanto tempo se passou até que os tremores no corpo de Clara finalmente parassem.
Ela ergueu a cabeça, pegou o celular e, sem hesitar, fez uma ligação.
Atenderam no primeiro toque. Clara abriu a boca, mas não conseguiu emitir som nenhum por alguns segundos.
— Clara? Estou ouvindo.
Até que uma voz clara, suave, estranha, mas ao mesmo tempo acolhedora, soou do outro lado da linha.


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