— Talvez seja.
Felipe respondeu com um tom indiferente.
Clara ficou paralisada por um segundo, e depois riu, sem levar a sério.
— Como isso seria possível? Eu já crio o Bolinha há doze anos.
Além disso, Bolinha havia sido um presente de Samuel, não havia como ele ter qualquer relação com Felipe.
Felipe a encarava, os olhos carregando um significado indecifrável. Ela realmente não tinha mais nenhuma lembrança dele.
Clara pensou um pouco e acrescentou:
— Acho que deve ser porque o Sr. Felipe tem o cheiro de um cachorro da mesma espécie do Bolinha.
Depois de dizer isso, vendo que Felipe a fitava com um olhar pesado, ela piscou, confusa.
De repente, o homem deu um passo em sua direção com suas pernas longas.
A distância encurtada ultrapassou instantaneamente os limites sociais. O peito do homem quase tocou a ponta do nariz de Clara.
No campo de visão dela, a camisa cinza que ele usava estava bem ajustada, permitindo que ela vislumbrasse levemente os contornos de seus músculos peitorais firmes.
Clara arregalou os olhos, prendeu a respiração, assustada demais para reagir.
— Por que está prendendo a respiração? — A voz baixa e arrastada do homem soou acima de sua cabeça.
— Hã? — Clara ergueu os olhos. Aquele olhar inocente e confuso dava ainda mais vontade de provocá-la.
Felipe abaixou os olhos e ergueu uma sobrancelha.
— Você não disse que eu tinha o cheiro de um cachorro da mesma espécie do Bolinha? Achei que quisesse cheirar.
Foi então que Clara percebeu o quão inadequado havia sido o seu comentário.
Como ela pôde dizer que um magnata imponente cheirava a cachorro?
Ela balançou a cabeça, tentando se explicar:
— Não foi isso que eu quis dizer! Eu também não estava insinuando que o senhor é um cachorro...
Meu Deus, o que ela estava tentando explicar?
Sob o olhar cada vez mais perigoso e sombrio de Felipe, Clara simplesmente fechou os olhos e, como um cachorrinho, deu uma fungada forte perto do homem.
O cheiro fresco e agradável de madeira de sândalo invadiu suas narinas.
Ela deu um passo para trás, com o rosto levemente corado de vergonha.
— Já cheirei. O senhor tem um cheiro limpo, não tem nenhum cheiro estranho.
Só então Felipe pareceu satisfeito, desviando aquele olhar de presença opressiva.
Clara soltou um suspiro de alívio antes de explicar novamente:

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