Bianca arregalou os olhos, parecendo assustada e ao mesmo tempo arrependida de ter falado.
— Explique isso direito! — Samuel a afastou bruscamente de seus braços, fuzilando-a com o olhar.
Bianca mordeu o lábio inferior.
— É que... antes de vir, eu fiz uma videochamada com a Clara e vi que ela estava na casa de um homem. Ela disse que era um amigo homem que estava fazendo uma festa de aniversário surpresa para ela...
— Samuel, a Clara ama tanto você, ela com certeza não faria nada para te trair! Ei, Samuel!
Observando as costas de Samuel se afastando em meio à multidão, exalando uma aura furiosa e assassina, Bianca abaixou a cabeça e massageou o braço dolorido onde ele a havia apertado.
*
Quando Clara recuperou a consciência, a luz do dia inundava a janela e havia um silêncio absoluto ao redor.
Seus cílios tremeram enquanto abria os olhos. A primeira coisa que viu foi o teto branco impecável.
O cheiro de desinfetante e o cobertor azul simples cobrindo seu corpo não deixavam dúvidas: ela estava em um hospital.
A última lembrança que tinha era da porta sendo arrombada e de uma figura alta e imponente levantando-a do chão.
Era...
Felipe!
Clara sentou-se na cama num solavanco e olhou para o próprio corpo.
Estava vestindo um pijama hospitalar largo. Seu abdômen e cintura doíam bastante, mas não havia nenhum desconforto ou sensação estranha em suas partes íntimas.
Clara soltou um longo suspiro de alívio. Naquele momento, a porta do quarto foi empurrada.
Clara apertou o cobertor contra o peito, olhando apreensiva, mas era Tatiana.
— Clara, você acordou! Está sentindo dor em mais algum lugar?
Tatiana aproximou-se da cama, e Clara a segurou rapidamente pela mão.
— Eu estou bem, só a minha nuca dói um pouco, não sei onde bati. Quem me trouxe para o hospital? Quem trocou a minha roupa?
— Você não lembra de nada? Calma, calma. Aquele desgraçado não teve tempo de fazer nada, o Senhor Felipe invadiu o quarto e salvou você. Foi ele quem te trouxe para o hospital. A roupa deve ter sido trocada pelas enfermeiras.
Senhor Felipe?
Era ele mesmo.
A imagem do homem arrombando a porta passou novamente pela mente de Clara, e ela suspirou aliviada.
— Mas foi a enfermeira mesmo, não é?
— Hã, sobre isso eu não sei dizer ao certo. Eu fiquei no hotel para lidar com a gravação e cheguei aqui depois.
Falar naquilo deixou Tatiana um pouco sem graça.

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