Digno de pena era o segurança pessoal do homem mais rico do país, que na Cidade do Mar era também uma figura de grande peso.
Todos aqueles gerentes e empresários desejavam se arrastar aos seus pés, apenas pedindo que ele falasse algumas boas palavras para Tomás, na esperança de conseguir uma oportunidade de negócio.
E no fim das contas, além de ser feito de palhaço por uns dias por um molequinho que nem tinha cabelos no corpo, ainda foi detonado por uma explosão cheia de fezes.
Essa experiência peculiar, de qualquer modo, seria única em toda a Cidade do Mar.
O pequeno garoto se debruçou no parapeito da janela, rindo com os quatro membros espalhados, louco de vontade de dar cambalhotas lá em cima.
— Bem que mandei não me caçar pra todo lado feito um cachorro. Agora teve o que merecia, né?
Bianor, parada diante da janela, olhou para o homem de preto no quintal lavando o rosto desajeitadamente na torneira, e o canto de sua boca não parava de se retorcer.
Esse pequeno bastardo, tinha ousado pregar peças até mesmo no Ramiro Lima.
Será que ele sabia quem era o tal Ramiro Lima?
Lá fora, todos achavam que ele era apenas o segurança pessoal de Tomás, mas ela, que havia investigado profundamente todas as pessoas de confiança daquele crápula, sabia muito bem que Ramiro Lima tinha outra identidade.
E era uma identidade diante da qual até mesmo Tomás precisava conceder algum respeito.
— Pelo amor de Deus, ô reizinho, você não arruma confusão por dois dias, já fica com sarna pra se coçar, é?
O garotinho virou a cabeça, encarou-a de soslaio e resmungou:
— Faz uns cinco, seis, sete, oito dias que eu não arrumo encrenca, tô até com o corpo doendo de tanto tédio.
Bianor riu diretamente de raiva e deu um tapa na nuca dele.
— Mas esse Ramiro Lima não é nada simples. Cuidado que ele pode se vingar de você.
O pequeno Kléber apenas deu um bufo frio.
— Medo de quê? O meu pai é o chefe dele, ele não tem como me fazer nada.
Bianor torceu o canto dos lábios, com muita vontade de dizer a ele 'você não é filho de Tomás', mas lembrando do aviso de sua líder, conteve o impulso.
— Fique brincando com o perigo à vontade. Um dia o barco vai virar na valeta.
Bom, essas palavras se concretizaram bem rápido.
Ramiro, com uma expressão sombria e tenebrosa, avançou na direção deles e, antes que o garoto conseguisse fugir à francesa, o pegou e prendeu-o no abraço.
Ele havia lavado apenas o rosto agora a pouco, mas o seu corpo ainda estava cheio de sujeira.
Ao ser agarrado daquela forma, não foi um barco virando na valeta, e sim um mergulho giratório no esterco.
No segundo seguinte, os gritos estranhos do pequeno malandrinho ressoaram pela espaçosa pousada:
— Aaaah, você não joga limpo!
— Que fedor, que fedor, muito fedor!

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