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Herdeiro Oculto: O Arrependimento do Bilionário romance Capítulo 315

No caminho de volta para a cidade, vindo dos subúrbios, o motorista cedeu o volante para Maison.

Isabela sentou-se ao lado dele, folheando os documentos de cooperação da Fundação Educacional Firefly.

A KI Technology mantinha parceria com mais de 20 escolas primárias da rede Hope, garantindo um futuro tanto para escolas da cidade quanto de outras regiões. O objetivo agora era expandir esse financiamento para o exterior.

— Querida, você sabe quem será o próximo vice-prefeito de Cábralia?

Maison estava vestindo um moletom azul escuro com estampa da Disney — peça que Isabela havia insistido que ele colocasse. Roupas combinando para pais e filhos. Não era de se admirar que Killian também não estivesse de uniforme escolar naquela manhã, algo incomum para ele, e sim com um moletom igual ao do pai. Maison deveria ter percebido antes.

— O quê, você quer ser vice-prefeito?

— O quê? — Isabela ficou sem palavras. — Marco Paulo foi destituída do cargo e, com isso, perdi um parceiro para minha fundação educacional. Se quero expandir minha influência, preciso me aproximar do próximo vice-prefeito.

Construir bons relacionamentos. Maison detestava essa expressão. Se for um homem, ela terá que lidar com outro Marco Paulo da vida?

— É uma mulher — disse ele.

Isabela ficou radiante:

— Sério? Ótimo! E se ela também for mãe, teremos assunto de sobra logo de cara!

— Hum — respondeu Maison com calma.

A partir de hoje, pelo bem do relacionamento harmonioso entre eles, ele faria o possível para apoiar essa candidata.

O telefone de Isabela tocou quando ainda estavam a alguma distância do jardim de infância. Era Natasha.

— Isabela, você soube o que aconteceu com Hóracio? Vendo que o filho não tinha mais chances de reverter a situação, ele vendeu todos os bens e tentou fugir para os Estados Unidos — mas foi detido pela polícia e levado para um centro de detenção. Hahaha! Pai e filho no mesmo barco!

— E Rodolfo estava envolvido?

— Que nada — respondeu Natasha com desdém. — Ele continua treinando escalada em casa todo dia, esperando a chance de entrar sorrateiramente na sua casa para uma refeição de graça. Foi o avô Bacci quem avisou a polícia. Hóracio nem percebe que o filho não consegue superar o pai.

Isabela olhou em silêncio para Maison.

Ele ergueu as sobrancelhas e disse apenas:

— Más companhias.

— Más companhias? — Isabela ficou sem resposta. Más companhias não duram décadas. Na opinião dela, eram claramente farinha do mesmo saco.

Do outro lado da linha, Natasha continuava:

— A mãe de Rodolfo brigou com uma mulher na rua por causa de uma pulseira de ouro de R$8.000,00.

— E aí?

— As duas estavam discutindo na calçada quando a pulseira escorregou e caiu num bueiro. Os bombeiros foram procurar, mas não acharam em lugar nenhum. A mãe de Rodolfo ficou tão abalada que foi parar no hospital.

Isabela franziu os lábios.

— Ouvi dizer que essa pulseira era um presente de nascimento para Rodolfo, dado na infância. Imagina, aquela senhora ainda tentou ficá-la. Não tem coração. Mas pode ficar tranquila, — a Senhora ainda tem seus próprios problemas para resolver, não vai sobrar tempo para te incomodar.

— Certo — disse Isabela com calma. — Me avisa se tiver novidade.

Ela precisava garantir a segurança de Killian a todo custo e evitar que o mesmo erro se repetisse.

Maison pegou o telefone e falou direto no microfone:

— Diga a Rodolfo que, se os conflitos internos da família Bacci afetarem minha esposa e meu filho, ele pode esquecer a escalada de muros. Vai precisar começar a treinar autodefesa o quanto antes.

A boca de Isabela falou mais rápido do que o cérebro:

— Por que precisaria de autodefesa?

— Para aguentar apanhar — respondeu Maison com frieza.

Natasha deu uma risadinha e desligou.

Isabela ficou encarando a tela preta do celular por um longo tempo.

— Maison, acho que você não precisa de amigos. Precisa de um saco de pancadas.

Maison sempre teve poucos amigos. Para ele, uma pessoa bastava — interações sociais desnecessárias só atrapalhavam. E todas as suas "interações sociais desnecessárias" da vida foram investidas em Isabela.

Se não fosse por ela, ele jamais teria participado de atividades voluntárias sem rumo, nem comparecido aos encontros de ex-alunos da P&D Technology ou da Universidade. Cada reencontro aparentemente casual havia sido cuidadosamente planejado por ele — mas Isabela, aquela tontinha, nunca percebeu.

— Elvis, você é igual à minha bisavó. Ela também ficava parada na rua vendo cachorro brigar.

Nina estava com duas tranças naquele dia, esperando que Kaline a buscasse no portão.

Ridicularizado sem cerimônia, Elvis esticou o pescoço e rebateu:

— Nina, você e Killian nem são da mesma família. Que direito você tem de falar assim de mim?

— Claro que somos! — A voz de Nina saiu ainda mais alta. — Killian é meu primo. Somos família sim! Só porque eu não gosto de você não significa que ele não possa ser seu amigo!

Killian: ...Quero pegar o ônibus para casa.

Nos cinco minutos seguintes, sua orelha esquerda e sua orelha direita não tiveram sossego.

— Elvis, se você quer ser amigo do Killian, tem que me dar um prendedor de cabelo bem bonito.

— Você não é a mãe do Killian! Por que eu te daria um presente? Não vou dar nada, hehe...

Uma era completamente devotada ao primo; o outro, completamente devotado ao colega de classe. Uma contradição natural e inevitável.

Nina, que nunca escondeu a antipatia por Elvis, estava determinada a dificultar sua vida.

— Então por que você não pode ser amigo do Killian?

— Vou falar pro meu pai não deixar você entrar na Escola Primária !

Nina ficou furiosa. Killian quer entrar na Escola Primária, e o pai do Elvis é justamente o diretor de lá. Que azar!

Por fim, Nina não resistiu e confirmou com Killian:

— Killian, você e o Elvis não são amigos, né?

Killian não respondeu.

Muita gente queria ser seu amigo, mas para ele tanto fazia. Tudo o que queria naquele momento era ver a mãe o mais rápido possível e ir para casa juntos.

Quanto a Maison... ele certamente não se daria ao trabalho de aparecer numa ocasião tão entediante quanto essa.

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