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Herdeiro Oculto: O Arrependimento do Bilionário romance Capítulo 57

O sábado de aniversário do Killian chegou, e o local era exatamente aquele que a Isabela tinha planejado. Como ela mesma dizia: ser ignorado é horrível, então, se for para tratar alguém com carinho, que seja a turma toda. Por sorte, o Jardim de Infância Wheatfield trabalhava com turmas pequenas, então eram apenas cerca de vinte crianças correndo de um lado para o outro.

— Killian, este é um Lego que eu trouxe para você... é igual ao que meu pai me deu da última vez... — Nina começou a dizer, mas logo tapou a própria boca. Ela quase esqueceu que o nome do pai dela era um gatilho para o mau humor do amigo.

Killian estava estiloso em uma camisa de mangas compridas com estampa de desenho animado e jeans destroyed. Aquele visual despojado o deixava ainda mais em evidência; dava para ver que metade das meninas da turma estava encantada por ele.

— Obrigado — ele respondeu, aceitando o presente com a educação de sempre.

Nina, recuperando o fôlego, insistiu: — Se você não gosta da marca da minha família, eu uso meu dinheiro de Ano Novo para pagar uma foto com você, pode ser?

A verdade é que o Killian detestava ser fotografado. Se não fosse pelo dinheiro fácil que ganhava como modelo infantil, ele preferiria mil vezes ficar "viajando na maionese". Mas, agora que a mãe tinha pedido demissão, ele sentia que precisava ajudar com as finanças.

— Vou pensar no seu caso — ele cedeu um pouco.

Nina abriu um sorriso radiante. — Pense com carinho! Vou deixar meu número aqui, me liga quando decidir.

Ele pegou o papelzinho e franziu a testa ao ver a caligrafia torta da menina. Aquele jeitinho de franzir o cenho era a cópia fiel de Isabela.

Do lado de fora, Maison parou o carro. Ele tinha vindo buscar Nina uma hora mais cedo da aula de piano e, após localizar a casa, deu de cara com aquela cena. Em sua memória, a Isabela do passado não era de franzir a testa — isso tinha se tornado um hábito de anos para cá, e ele nunca entendeu bem o porquê.

Lá dentro, o clima era de festa. Killian fechou os olhos para fazer um pedido diante de um bolo enorme, que ostentava um carro de corrida colorido bem no centro. Todos cantaram "Parabéns" em coro.

Nina estava à direita dele, e Dandara à esquerda. Assim que a música acabou, Nina decidiu colocar seu plano em prática: aproveitando a distração do aniversariante, ela o abraçou pelo pescoço e tascou um beijo em sua bochecha.

Killian congelou. A turma toda ficou em choque. Quando ele se deu conta do que tinha acontecido, começou a limpar o rosto freneticamente com a manga da camisa, ignorando os gritos de "Nina!" ao redor. Isabela agiu rápido, entregando um lenço desinfetante para ele. A germofobia do Killian era seletiva: ele só aceitava beijos e carinhos de quem amava profundamente.

Nina, vendo que o gesto não foi bem recebido, ficou sem jeito. — Desculpa, Killian... minha bisavó dizia que, se a gente gosta de alguém, tem que beijar. Minha mãe beija o papai assim também...

O final da frase foi baixo, quase um sussurro, mas Isabela ouviu com perfeição. Um calafrio percorreu sua espinha, subindo pelos membros e congelando seu coração. Era como se ela estivesse presa em um bloco de gelo.

— Tia Isabela? Tia Isabela?

A voz do filho parecia vir de longe. Isabela recobrou os sentidos, percebendo que suas mãos estavam geladas. Aquela mentira que ela contava para si mesma tinha acabado de se estilhaçar, deixando feridas expostas.

Killian segurou a mão dela, tentando aquecê-la com seu próprio calor. — Tia Isabela, vamos para casa depois de cortar o bolo?

Mesmo querendo fugir dali, o senso de responsabilidade falou mais alto. — Ok, querido.

Capítulo 57 1

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