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Herdeiro Oculto: O Arrependimento do Bilionário romance Capítulo 85

O tio Mario entrou no quarto com a discrição de quem foi treinado para não ocupar espaço além do necessário. Estendeu o celular para Isabela com um gesto breve.

— Para o senhor Maison.

Isabela pegou o aparelho sem olhar para a tela e o colocou na mesa de cabeceira com a face voltada para baixo. Não era da sua conta — e ela havia aprendido, a custo, a importância de saber onde seus assuntos terminavam.

Do banquinho ao lado da cama, Killian observava Nina com aquela vigilância silenciosa que ele não havia herdado de ninguém — ou talvez tivesse herdado de alguém que ela se recusava a nomear. Quando Nina finalmente parou de chorar, exausta, ele ajeitou a postura: costas eretas, braços cruzados, o rosto composto. Um posto que ninguém havia designado e que ninguém ousaria questionar.

Isabela tocou levemente em seu ombro.

— Meu bem. A mamãe quer conversar com você um instante.

No corredor, o ruído branco do hospital os envolveu — passos apressados ao longe, o chiado discreto de uma maca, o cheiro frio de lugar que existe para conter o que não pode ser contido.

Killian falou antes que ela pudesse formular a primeira pergunta.

— O carro saiu da pista. Eu estava olhando para o smartwatch e não vi. — Uma pausa de quem está sendo preciso, não frio. — A Nina me empurrou para longe antes que eu reagisse.

Isabela ficou olhando para ele.

— Se ela não tivesse feito isso...

— Eu sei — disse ele. E havia no tom algo que não era a compostura habitual, mas o avesso dela: alguém que havia sentido, de verdade, a borda do que poderia ter acontecido.

Ela o puxou para perto sem aviso. Os braços fecharam ao redor dele com uma firmeza que não era desespero — era gratidão no seu estado mais puro, aquela que só aparece quando o alívio e o medo chegam juntos.

— Querido, precisamos agradecer à Nina de verdade. Do jeito que ela merece.

— Vou visitá-la todos os dias — disse ele, com a seriedade de quem não faz promessas que não pretende cumprir.

Ficou um momento quieto no abraço. Então a voz chegou mais baixa, menos controlada:

— Fiquei com medo. — Ele não elaborou. Não precisava. — Pensei que não fosse ver você de novo. O Maison tem outra tia. Mas você só tem a mim.

Isabela fechou os olhos por um segundo inteiro.

— Quer dormir comigo hoje à noite?

— Sim.

— Então é isso.

.....

Na outra extremidade do corredor, Maison estava parado perto da janela.

Ele havia saído da enfermaria sem fazer barulho — pegou o celular da mesa de cabeceira, verificou as mensagens de Armando com aquela concentração comprimida de quem está processando várias coisas ao mesmo tempo. Mas antes de virar de costas, seus olhos haviam encontrado a cena no corredor: Isabela e Killian abraçados junto à parede, o menino com a cabeça encostada no ombro dela com aquela rendição específica de quem só baixa a guarda com uma pessoa no mundo.

Maison olhou para isso por um momento que durou mais do que devia.

Depois virou-se.

A transferência de Nina para a ala VIP foi rápida e eficiente — o tipo de eficiência que o dinheiro compra sem precisar pedir duas vezes.

A menina não tirava os olhos de Killian enquanto a maca se movia.

— Killian. — A voz dela tinha aquela urgência de quem precisa de uma confirmação antes de conseguir descansar. — Você vai vir me ver?

— Todo dia — respondeu ele, com a naturalidade de um fato estabelecido.

Nina assentiu e se recostou com uma expressão ligeiramente mais tranquila. Então, quase como pensamento separado, ergueu os olhos para o pai:

— Seu pai está velho — disse ela, com uma suavidade que era mais ameaçadora do que qualquer tom elevado. — Seu irmão precisa de cuidados que custam mais do que você jamais conseguirá pagar. — Ela deixou o silêncio trabalhar. — Vinte milhões compram muita dignidade para uma família.

O maxilar de Emerson se contraiu. O silêncio que se seguiu era o de uma batalha interna que ele estava perdendo para si mesmo.

— Cinquenta — disse ele por fim, como se a palavra deixasse um gosto amargo. — Cinquenta milhões. E eu desapareço.

— Feito.

Catarina virou as costas. Já estava calculando os próximos passos, organizando mentalmente como limpar os rastros desta conversa, quando a voz dele veio de trás — descuidada, quase involuntária, o tipo de coisa que se diz quando se acha que o perigo já passou:

— Essas duas mulheres fedorentas... têm tanto em comum. Filhos fora do casamento e tudo mais.

Catarina parou.

O pensamento chegou antes mesmo que ela se virasse: duas.

Uma era Nina. Isso ela sabia — era o escândalo que havia tentado enterrar discretamente, o segredo que Emerson havia usado como munição.

Mas duas significava outra. Outro filho. Outra mulher que ele conhecia o suficiente para colocar na mesma frase.

Ela ficou parada, de costas para ele, por dois segundos que valeram muito mais do que pareciam.

Por fora: imobilidade absoluta.

Por dentro: uma engrenagem que começava a girar — devagar, com precisão, na direção de uma conclusão que ela ainda não tinha nome para dar, mas que já sentia como uma certeza incômoda instalando-se no peito.

Ela saiu sem se virar.

Havia muito o que pensar — e muito pouco tempo antes que os fios se conectassem sozinhos.

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