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Herdeiro Oculto: O Arrependimento do Bilionário romance Capítulo 99

Isabela sabia exatamente o que Maison queria — continuar a conversa que havia sido interrompida na Villa Bells, empurrá-la para um lugar indefinido entre o casamento que ainda existia no papel e o divórcio que ele continuava adiando.

Ela não estava disposta a dar a ele essa satisfação.

No caminho para o Grupo Thorne, parou na beira da calçada, colocou uma máscara para evitar que os funcionários reconhecessem quem era, e — com uma ideia que surgiu com a clareza específica da raiva bem direcionada — recolheu um punhado de terra do canteiro mais próximo e o colocou num saco plástico.

Chegou ao escritório do último andar com a compostura de quem foi chamada para uma reunião de rotina.

Caminhou direto até a mesa.

Pegou o saco plástico da bolsa.

E esfregou o conteúdo no rosto de Maison com a palma da mão antes que ele tivesse tempo de reagir.

O silêncio durou exatamente um segundo.

Maison enxugou o rosto devagar, olhou para as mãos enlameadas, e cerrou os dentes com uma contenção que era, ela sabia, muito mais difícil de sustentar do que parecia.

— Isabela.

— Você merece — disse ela, com um sorriso que não chegava aos olhos.

Do sofá, Nina observava a cena com uma risadinha que ela não estava conseguindo segurar:

— Papai virou uma flor de lama enorme.

Isabela virou-se, caminhou até o filho e tomou a mão dele.

— Killian, vamos—

A força que a puxou para trás chegou antes que ela terminasse a frase. A mão de Killian foi solta. Isabela franziu a testa, o pulso preso no aperto de Maison.

— O que você está fazendo?

Killian não hesitou:

— Solte a minha mãe!

Maison ignorou os dois e a arrastou para dentro do salão privativo. Killian correu atrás — a porta bateu com um estrondo que faltou pouco para atingir seu rosto.

O ambiente externo ficou estranhamente quieto.

Nina desceu do sofá devagar e puxou a manga de Killian.

— Killian, não culpe meu pai. Ele não costuma ser assim. — Ela pausou, como quem está tentando acreditar no próprio argumento. — Ele não machucaria a tia Isabela.

Killian sacudiu a mão dela.

— Você não entende nada.

Ele sabia exatamente o que havia acontecido. Maison havia aparecido na escola no fim das aulas com a história de que a linha infantil da empresa precisava da sua cooperação — e ele havia cedido porque sabia que a alternativa era pior. A intenção nunca havia sido a publicidade. Era trazer Isabela até ali.

Nina ficou parada, os olhos enchendo de lágrimas com aquela rapidez de criança que ainda não aprendeu a segurar.

— Posso pedir desculpas em nome do papai?

— Saia de perto de mim.

Nina não disse mais nada. Sentou-se no sofá com o olhar vago de quem foi atingido mas não sabe bem onde.

Killian olhou para a porta fechada. Sabia que a recepção não o deixaria sair — o prédio inteiro obedecia a Maison. Sentiu o peso de ter arrastado a mãe para aquela confusão mais uma vez.

Ativou o smartwatch com a seriedade de quem tomou uma decisão.

— Sim — disse ele, com a voz clara e firme. — Uma senhora foi sequestrada no escritório do último andar do Grupo Thorne.

Nina encolheu-se no sofá.

Killian assustava quando estava com raiva.

Dentro da sala, Isabela tentou a fechadura. Não abriu.

O corpo de Maison era uma presença sólida atrás dela — perto demais, quente demais, completamente deliberado.

— Não vai conseguir abrir.

Isabela esfregou a toalha no rosto dele com movimentos práticos e rápidos, querendo terminar. Havia uma memória muscular nos gestos — a mesma precisão com que limpava o rosto de Killian depois do parque, depois do jantar, depois de qualquer coisa que deixasse rastros.

— Com quem mais você pratica isso? — perguntou ele, com uma casualidade que não era casual.

— Com quem eu quiser — ela foi até a porta e bateu nela. — Abre.

A mão de Maison segurou o queixo dela — levantando-o com uma firmeza que não era violência mas que também não pedia licença.

— Não me importo se você me trair durante nosso casamento.

— Por que eu sequer consideraria isso? — ela o olhou com um nojo que era também, em alguma camada mais funda, outra coisa inteiramente.

Ele inclinou-se. A voz chegou baixa, perto demais do ouvido dela:

— Baseado em quão bem nos entendíamos sete anos atrás...

O tapa chegou antes que ela decidisse dá-lo. O som ecoou na sala com uma clareza que era quase satisfatória.

Maison virou o rosto.

Ficou assim por um segundo.

Depois, com uma voz que havia descido vários registros:

— Vamos embora.

Quando mãe e filho saíram do escritório, Killian olhou para trás uma última vez com aquela fúria contida que era, nos traços, a imagem exata de Isabela — mas nos olhos, algo que ela não sabia nomear e que a fez desviar o olhar.

Maison não prestou atenção imediata. O telefone havia tocado, e a voz de Armando do outro lado oscilava de um jeito que ele raramente ouvia.

— Presidente. Encontramos.

Maison instruiu a secretária com um gesto breve e voltou para a mesa. Pela janela, a cidade se estendia indiferente lá embaixo, e o coração dele batia de um jeito que ele não havia reconhecido como possível em muito tempo.

— Fale — disse ele.

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