Nicole não conhecia a história completa, mas agora entendia que tinha ultrapassado um limite que nunca deveria sequer ter chegado perto. Danielle tinha avisado para nunca, jamais, falar sobre a mãe dele na sua frente.
“Curtis… Não quis dizer aquilo. Eu juro que não quis”, ela gaguejou. Com sua voz falhando enquanto o medo a dominava.
Suas pernas quase cederam.
Se olhares matassem, Curtis já teria despedaçado ela em mil pedaços.
Mas então Nicole ergueu o queixo, obrigando-se a lembrar quem era. Ela era Nicole Barton, neta de Jeremy Barton.
Curtis não ousaria tocar nela, ele não podia.
O peito de Adriana apertou. O rosto de Curtis parecia esculpido em pedra, a raiva era tão crua que deixava o ar pesado. Ele parecia capaz de matar Nicole sem sequer piscar.
Então o som de pneus sobre o cascalho cortou a tensão. Um sedã preto parou diante do portão. Curtis virou a cabeça na direção do carro. Adriana acompanhou o olhar dele. A porta se abriu.
Um homem alto desceu, calmo, seguro.
Quando a luz do sol tocou seu rosto, seus olhos brilharam com um leve tom azulado, como água profunda refletindo luz.
Ele usava um terno sob medida, minimalista, mas elegante. Um único bordado de bambu na barra adicionava um toque discreto de refinamento. A camisa impecável destacava a silhueta alta e esguia. Parecia ter saído do próprio inverno: limpo, frio e intocável.
Adriana prendeu a respiração, ela olhou por mais tempo do que devia. Não era desejo. Era admiração.
Porque Justin era absurdamente bonito.
Curtis era bonito de um jeito que cortava. A aparência dele carregava perigo. Cada traço gritava controle e fúria, como um anjo caído direto do inferno. As pessoas olhavam e sentiam vontade de recuar.
Justin era o oposto. Sua presença era limpa, serena, impossível de ignorar. Havia algo quase irreal nele, algo que atraía todos os olhares sem que ele precisasse tentar.
“Sr. Lincoln, quanto tempo”, disse Justin, em tom educado e suave. Ele se aproximou e se posicionou entre Nicole e Curtis. “Vim buscar minha Senhora. Desculpe pelo transtorno.”
Nicole ficou imóvel, olhando para ele como se tivesse esquecido de respirar. Ele parecia irreal sob a luz do sol. Levou alguns segundos para ela reagir.
“Foi você que o vovô mandou para me proteger?”
Justin virou levemente o rosto e a encarou. Depois de uma pausa, concordou.
O rosto de Nicole se iluminou. O alívio a invadiu como se tivesse encontrado um salvador. Ela se escondeu atrás dele imediatamente.
“Eles têm sido horríveis comigo”, disse, cheia de autopiedade.
Curtis permaneceu em silêncio, ele nem sequer olhou para Justin.
Adriana percebeu. Curtis não era um homem grosseiro, então aquele silêncio frio entre os dois chamava atenção. Havia alguma história ali. Algo que nenhum dos dois queria mencionar.
Mas ela também notou outra coisa. No instante em que Justin apareceu, a tempestade no rosto de Curtis começou a se dissipar.
“Sr. Lincoln, vou levá-la agora”, disse Justin, calmamente, com o olhar indecifrável.
Então ele olhou para Adriana. Seu olhar pousou nela por apenas um segundo, mas demorou o bastante para que ela sentisse. A garganta dele se moveu, como se quisesse dizer algo, mas não disse. Qualquer pensamento que tivesse, engoliu e se virou, sinalizando para Nicole segui-lo.
Curtis provavelmente teria deixado aquilo passar. Mas Nicole precisava estragar tudo.
“Curtis!”, ela gritou. “Vou contar tudo pro meu avô! Vou dizer como você e a Adriana me trataram! É melhor tomar cuidado, porque agora eu não estou mais sozinha. Tenho alguém me protegendo!”

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