Hugo ficou sem palavras. Era a primeira vez que ele lavava roupa — e justo para uma mulher — e ainda por cima levou bronca?
Enquanto processava o absurdo da situação, seu telefone tocou. Era uma ligação de Ernie.
— Alô.
— Como está sua recuperação? — a voz preocupada de Ernie soou.
— Nada mal. E você, onde está?
— Acabei de chegar em Korshach. Estou em uma viagem de negócios e ficarei por aqui uma semana. Passo aí quando voltar.
— Vá cuidar dos seus compromissos. Tenho alguém cuidando de mim.
Ernie riu, já imaginando quem era esse “alguém”.
Depois de encerrar a chamada, Hugo ligou para outro número, desta vez com o semblante frio.
— Ainda nada?
— Senhor Spencer, rastrear a Sra. Spencer está mais complicado do que imaginamos. Preciso de mais tempo.
— Três dias. É tudo que você tem — disse Hugo, firme.
Apesar da falta de notícias, ele se recusava a acreditar que sua mãe havia desaparecido do mundo. Um dia, ele se reuniria com ela.
O telefone tocou novamente. Agora era Mathias.
— Senhor Spencer, o Sr. Harold adquiriu o Grupo Harness. Ele está promovendo um banquete nesta sexta e o senhor foi convidado. Deseja comparecer?
Os olhos de Hugo se estreitaram. Harold Xenos... o principal suspeito do assassinato do meu pai. Então ele resolveu reaparecer.
— Eu irei.
— Mas, senhor, e se for uma armadilha?
— Preciso encontrá-lo de qualquer forma — declarou Hugo, decidido.
Quando Celia chegou em casa, o relógio marcava cinco e meia. A casa estava às escuras e Hugo permanecia no sofá, imóvel como uma escultura.
— Vamos jantar fora hoje. Não estou com vontade de cozinhar — sugeriu Celia. — Não precisa ser longe. Só aqui embaixo.
— Ok — respondeu ele.
Ela franziu a testa ao vê-lo ainda de pijama.
— Vai se trocar. Eu espero.
Hugo se levantou e, sem cerimônia, puxou o cinto do roupão. Em um instante, a peça deslizou de seu corpo, revelando sua figura atlética e perfeita.
Celia travou. Seu rosto esquentou imediatamente.
— H-Hugo! Pode parar de tirar a roupa do nada na minha frente?!
Sem dizer uma palavra, ele entrou no quarto. Ela se aproximou e pegou o roupão jogado no sofá, ainda quente, e o colocou de volta no encosto.
Minutos depois, ele saiu vestindo uma camisa branca e calças casuais. Com o cabelo raspado e a postura relaxada, Hugo emanava uma masculinidade bruta e arrebatadora.
Os dois desceram até um restaurante no térreo. Celia pediu uma mesa num canto mais reservado. Sentaram-se e ela começou a folhear o menu enquanto ele tomava seu café tranquilamente.
Ela não se preocupou em deixá-lo escolher — ele comeria o que ela pedisse.
Quando levantou os olhos, percebeu que a garçonete estava encarando Hugo como se estivesse hipnotizada.
— Quero fazer o pedido — disse Celia, pigarreando.

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