Hugo não conseguia suportar a ideia de Michael tentando se aproveitar de uma mulher indefesa, ainda mais quando essa mulher era sua ex-esposa.
Nos seus braços, Celia estava completamente inconsciente, sem noção de quem a carregava ou para onde estava indo. Seu corpo não oferecia resistência alguma.
Sem perder tempo, Hugo pegou o telefone e ordenou a Mathias Finch, seu assistente, que trouxesse imediatamente a chave de um quarto.
Assim que chegaram à suíte presidencial no último andar, ele a colocou no sofá. Seus longos cabelos estavam espalhados pelo estofado, refletindo um brilho suave sob a iluminação ambiente. Seu rosto corado denunciava o efeito da droga, e ela puxava a gola do vestido, tentando aliviar o calor que a consumia.
O olhar de Hugo se tornou mais sombrio. Ele não queria nem imaginar o que teria acontecido se não a tivesse encontrado.
A mesma cena de cinco anos atrás se repetia. Como essa mulher ainda não havia aprendido? Será que só despertaria para a realidade depois de ser desonrada?
"Bem feito para você," murmurou com frieza antes de se dirigir ao banheiro.
Enquanto a banheira enchia, Hugo retornou para pegá-la. Mas, no momento em que ele a ergueu, Celia, que começava a recuperar um fiapo de consciência, se debateu.
"Não me toque… saia daqui, seu idiota…"
A voz grave e fria de Hugo soou próximo ao seu ouvido.
"Você acha que eu queria te salvar?"
Mesmo em seu estado alterado, Celia sentiu que aquela voz era familiar.
Seria ele? Não… só podia ser um delírio causado pela droga.
Lutando contra o peso das pálpebras, ela ergueu um pouco o rosto e, por entre a visão turva, viu a última pessoa que queria encontrar.
Hugo Spencer.
"…Hugo?" Seu nome escapou por entre os lábios entreabertos dela.
O olhar de Hugo se aprofundou.
Quatro anos haviam se passado desde a última vez que a viu, e ele nunca imaginou que, ao reencontrá-la, sentiria esse turbilhão de emoções. Antes, desejava que ela pagasse pelos pecados de sua mãe. Agora, ironicamente, estava criando o filho que ela havia dado à luz – e esse menino se tornara seu mundo.
Mesmo que ainda odiasse a mãe dela, de algum modo, havia se convencido a poupar Celia.
E agora, ali estava ela, novamente em apuros, novamente indefesa… e perigosamente tentadora.
O perfume floral inconfundível que emanava de sua pele o atingiu como um golpe. Seu corpo continuava macio, sua pele ainda impecável. Seus lábios, vermelhos e convidativos.
Seu corpo inteiro enrijeceu. O desejo que ele não sentia por nenhuma outra mulher nos últimos quatro anos despertou como uma fera feroz.
Maldição. O que essa mulher fez comigo?
Hugo não sabia se era o calor do próprio corpo ou se a irritação que crescia dentro dele era porque, de certa forma, sentia que havia sido contaminado pela mesma droga.
"Se ousar me tocar, Hugo, você vai se arrepender…" Celia conseguiu murmurar, sua respiração irregular.
O canto dos lábios de Hugo se curvou em um sorriso irônico.
"Ah, é? E o que você vai fazer para me impedir?"
O sangue de Celia ferveu ainda mais. Ela puxava a gola do vestido, ofegante. Seu corpo estava quente, sua pele avermelhada e sua fragilidade contrastava com a determinação em seus olhos.
Se há quatro anos Celia era uma margarida ingênua, agora ela era uma rosa madura e sedutora, ainda mais perigosa.
Hugo percebeu que provocá-la poderia piorar sua condição. Ele se aproximou, ignorando a fúria nos olhos dela, e a pegou no colo novamente.
"Me solte, seu filho da mãe!" Celia se debateu, aterrorizada. Seu desespero fez seus olhos se encherem de lágrimas. Ela usou toda a sua força para empurrá-lo, tentando se libertar.
Mas, ao contrário do que temia, não foi jogada na cama.
Com um movimento ágil, Hugo a mergulhou na banheira cheia de água fria.

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