Por que seu pai nunca lhe contou que Pansy havia tomado a empresa de sua mãe à força? Isso não era apenas uma questão de dinheiro, mas de justiça. Se nem mesmo seu próprio pai estava disposto a lutar pelo que era certo, em quem mais ela poderia confiar?
Às 14h30, Celia chegou à empresa de Callum. O prédio comercial de quatro andares possuía um grande depósito e uma oficina ao lado. Fazia anos que ela não visitava o local, e seu relacionamento com o pai havia se deteriorado devido à influência de Pansy. Especialmente depois que a madrasta e sua filha armaram um plano contra ela, quase arruinando sua vida.
Naquela noite, ao invés de protegê-la, seu pai acreditou nas mentiras de Pansy e Yana e a esbofeteou. Se ele não tivesse feito isso, talvez ela nunca tivesse fugido de casa. Nunca teria caído no plano cruel de Hugo. Nunca teria concordado com aquele casamento que se tornou seu maior pesadelo.
No fundo, ela guardava ressentimento por Callum.
Quando a assistente de Callum a levou até seu escritório, ele ficou visivelmente surpreso. Levantando-se do sofá, perguntou hesitante:
"Celia, o que a traz aqui?"
Ela se sentou à sua frente, a expressão fria.
"Vim falar sobre minha mãe."
O desconforto foi imediato no rosto de Callum. Ele desviou o olhar, claramente relutante.
"Não quero falar sobre o passado."
Mas Celia não iria recuar.
"Você conhecia minha mãe melhor do que ninguém. Sabe que ela nunca foi a mulher que disseram que era."
Ele soltou um suspiro pesado.
"Celia, o caráter da sua mãe não muda o que aconteceu. Eu só quero que você tenha uma vida tranquila."
As palavras de Callum fizeram com que lágrimas se acumulassem nos olhos de Celia. Ainda havia uma parte dela que esperava que seu pai não fosse tão frio quanto parecia.
"Já que você não quer falar sobre a mamãe, vamos falar sobre Pansy." Seu olhar se tornou ainda mais afiado. "Ela e minha mãe cresceram juntas. Então por que você se casou com ela tão pouco tempo depois que minha mãe morreu? Você e Pansy já tinham Yana antes da morte da mamãe, o que significa que você também a traiu."
Callum arregalou os olhos, pego de surpresa. Um traço de culpa brilhou neles, mas ele não encontrou palavras para se defender.
O peito de Celia ardia de raiva.
"E além disso, você sabia que minha mãe era dona de metade da empresa que Pansy agora controla? Por que nunca me contou isso? Eu sou ou não sou sua filha, afinal?"
Callum ficou visivelmente inquieto. Ajustou os óculos e respondeu, com voz tensa:
"Celia, você desapareceu sem deixar rastros há cinco anos. Não tive a chance de te contar muitas coisas. Sua mãe e Pansy fundaram aquela empresa juntas, mas sua mãe faleceu poucos meses depois. Pansy assumiu o controle e fez a empresa crescer até o que é hoje. Ela trabalhou duro para isso."
As palavras dele deixavam claro que estava protegendo sua atual esposa. Ele não via problema no fato de Pansy ter se apropriado da empresa.
O coração de Celia se apertou. O homem à sua frente não parecia seu pai. Ele era um estranho.
"Sei que quando eu era criança, você decidiu esconder a verdade, mas agora sou adulta. Eu tenho o direito de saber!" Sua voz tremeu. "Já avisei Pansy: ela vai devolver a participação da minha mãe ou eu a processarei."
Pegou sua bolsa e se levantou. Naquele momento, não havia mais dúvidas — ela estava do lado oposto de seu pai e da família Stuart.
Callum a observou, perplexo.
"Celia... O que você pretende fazer? Somos uma família."
Ela riu, mas foi um riso amargo.
"Não somos uma família. Pelo menos, não desde que você se casou com Pansy."
Lágrimas ameaçavam rolar por seu rosto. Callum nunca soube pelo que ela passou. Nunca a protegeu.
Ele tentou alcançá-la.

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