A ligação veio assim que Liam deixou a pista de corrida.
Quando viu seu nome piscando na tela, ele ignorou. Então sua irmã deixou uma mensagem de voz. Ele não estava a fim de ouvir Willow falar que ele era egoísta e irresponsável. Eles tiveram muitas conversas desse tipo nas últimas semanas. Começou quando seu pai mencionou o plano de sucessão.
Seu telefone tocou novamente. Dessa vez era uma mensagem de Holly, a mais nova dos irmãos Anderson. Por ser o bebê da família, Holly era a mais mimada e egocêntrica.
Seus pais nunca lhe recusavam nada. Na cabeça de Liam, o fato de ela ter se tornado uma bailarina renomada contribuiu, porque mesmo quando suas exigências eram ridículas, Clarke e Lois se esforçavam para atender a todos os seus desejos e necessidades.
Quando Holly quis ter seu próprio estúdio de balé, Clarke comprou um armazém e o reformou exatamente do jeito que ela queria.
Quando ela exigiu uma cobertura de seis quartos na localização mais privilegiada de Rock Castles, um exército de corretores de imóveis teve que sair correndo para encontrar o que ela queria. Não importava que o lugar ficaria boa parte do tempo vazio, já que ela mal parava no país.
O mais ridículo de seus caprichos, porém, foi aquela vez em que todas as butiques da Nona Avenida tiveram que ser fechadas, porque ela queria escolher seus cinquenta mil pares de sapatos e bolsas sem que todos os plebeus ficassem olhando para ela boquiabertos.
A mensagem dela devia ser mais uma exigência. Ela provavelmente queria que Liam fosse até o Medi-Clinic em Glen Eagles o mais rápido possível.
Willow ligou novamente. Ele a colocou no viva-voz. Seu coração partiu quando os soluços desesperados dela tomaram conta do carro.
Levou alguns minutos para acalmá-la e fazê-la contar o que havia acontecido.
"É o papai", ela gritou do outro lado. "Você tem que vir para o hospital!".
Liam desligou e fez o retorno, ignorando o enorme sinal de alerta que o proibia de virar ali. Ele pulou todos os semáforos vermelhos e ignorou os milhões de carros buzinando para ele. Seus olhos estavam focados na estrada, mas sua mente estava de volta ao escritório de seu pai, repassando a conversa acalorada que tiveram e as últimas palavras que disse a ele.
Nos dez minutos que levou para chegar ao hospital, ele orou mais vezes do que já havia feito em toda sua vida. Ele fez promessas íntimas e negociou tudo o que tinha. Ele desistiria de tudo, de seus sonhos, das corridas, dos torneios, se isso significasse ter apenas mais uma hora com seu pai.
Liam não sabia como tinha chegado ao hospital. Ele saiu de seu torpor quando pôs o carro no estacionamento do hospital e ouviu ambulâncias barulhentas correndo para salvar vidas em algum lugar.
Suas duas irmãs vieram encontrá-lo na entrada.
Na maioria dos dias, Holly e Willow (ambos nomes de árvores por causa do amor de sua mãe por plantas) eram visões imaculadas de classe e equilíbrio. Com cabelos negros como tinta, grandes olhos verdes, pele de porcelana e corpos esguios, elas poderiam facilmente passar por gêmeas, apesar da diferença de quatro anos entre elas.
Naquela noite, porém, as duas estavam desgrenhadas, com o rosto cheio de lágrimas e ranho. Seus olhos estavam vermelhos e vazios de medo.
Elas se jogaram em seus braços quando o viram. Ele lhes deu um forte abraço e tentou tranquilizá-las da melhor maneira possível, embora não soubesse o que tinha acontecido.
"O que aconteceu? Onde estão a mamãe e o papai?", ele perguntou ao soltá-las de seu abraço. Eles então se dirigiram aos elevadores que levavam à ala VIP.
"O papai está muito doente, Liam", Willow disse com uma voz chorosa.


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