Como tinha várias estantes e milhares de livros empilhados nas paredes com painéis de madeira, além dos móveis escuros que lembravam um clube de centenários, o escritório de seu pai era provavelmente o cômodo mais intenso da casa. Mas também era um dos lugares favoritos do Liam.
Ele se lembrou dos raros momentos que ele, Willow e Holly passaram ali, jogados no chão, enquanto liam ou brincavam, felizes pelo pai estar em casa, querendo ficar o mais perto possível dele, porque nunca sabiam quando o veriam novamente. Clarke estava sempre viajando, dentro e fora do país, correndo atrás de um grande cliente após o outro. Ele perdeu muitos dias importantes. Talvez por isso a maioria deles tenha virado apenas uma foto em cima da lareira.
Liam e suas irmãs nunca se ressentiram dele, no entanto. Quando Clarke estava presente, ele era o melhor pai do mundo, e quando não estava, ele os mimava muito com os mais absurdos presentes vindos de todo lugar do mundo para compensar sua ausência.
"Obrigado por me agraciar com sua presença, filho". O tom irônico de Clarke chamou a atenção de Liam.
Seu pai desligou o MacBook e saiu de trás da mesa.
"Oi, querida", ele murmurou, enquanto se sentava aolado de Lois e beijava sua bochecha. "Você está bem?".
Lois sorriu, corando lindamente, como uma colegial em seu primeiro encontro, quando deram as mãos.
Liam observou-os melancolicamente e suspirou. Eles sempre o faziam se sentir como uma vela. A maioria dos pais de seus amigos eram divorciados, então ele sabia que tinha sorte de ter pais que ainda se amavam tanto quanto na época em que se casaram, mais de trinta anos atrás. O compromisso de um com o outro era inspirador, e ele rezou para encontrar algo tão duradouro e significativo.
A Sra. Horowitz, a governanta, bateu uma vez à porta entreaberta e entrou com um sorriso e uma bandeja cheia de quitutes.
Liam alegremente se serviu de uma xícara de café e pegou um punhado de macarons.
Sua mãe pediu licença quando lembrou que tinha que acertar com obufê os detalhes do jantar de segunda à noite com os membros do conselho. Se Clarke conseguisse, seria o primeiro compromisso oficial de Liam como CEO.
"A reunião do conselho na segunda-feira". Clarke deu início à conversa, quando eles ficaram sozinhos e, por mais de uma hora, Liam o ouviu tagarelar sobre a importância de ter um bom relacionamento com o conselho. Relacionamentos fortes e saudáveis fortaleceriam sua posição dentro da empresa.
"Não preciso nem falar de seus primos", continuou Clarke. "Eles farão qualquer coisa para subestimar sua posição e, assim que sentirem qualquer fraqueza, atacarão. Você não pode baixar a guarda!".
Liam discordou. Claro que Julian e Matthew eram altamente ambiciosos e não abririam mão de cargos importantes na empresa. Mas eles haviam conquistado muitas coisas sozinhos.
Ele nunca admitiria isso para seu pai, mas achava que os irmãos mereciam uma chance como CEO. Eles davam seu sangue, suor e lágrimas na Anderson Logistics. Matthew era Diretor Criativo Júnior, e Julian era contador. Se Liam tivesse que assumir o posto, ele queria fazer de seus primos seus aliados. Ele nunca conseguiu entender por que Clarke havia deixado de lado seu irmão mais novo a ponto de Sullivan, pai de Julian e Matthew, ter que desistir de todo envolvimento com a empresa.
"Você está prestando atenção?", Clarke exigiu. "Aquele Julian é uma cobra mentirosa...".
"Pai, por favor", Liam balançou a cabeça. Ele não queria entrar nessa conversa com ele. Aquela 'cobra mentirosa' e seu irmão não eram apenas seus primos, mas também seus melhores amigos. Foram eles que o levaram para a Crush na noite anterior para animá-lo. Eles sempre estiveram presentes em todas as suas vitórias e derrotas nos torneios. Eles o incentivaram a obter sua licença de competição e até pagaram seus cursos de corrida quando Clarke congelou suas contas bancárias, na esperança de que ele desistisse e se juntasse aos negócios da família. Sem o apoio deles, Liam sabia que nunca teria conquistado uma vaga na equipe de automobilismo da Rock Union.
"Eu entendo", acrescentou Liam ao beber o café que já estava frio. Ele não conseguiu nem terminar meio macaron, porque estava muito doce.
"Acho que você não entende", Clark respirou fundo, um sinal de que já estava perdendo a paciência com ele.
Para acalmá-lo, Liam concordou e encostou na cadeira, cruzandoos pés. O discurso de seu pai não era nenhuma novidade para ele. Afinal, Clarke sempre falou isso, desde que Liam cresceu o suficiente a ponto de ler e entender a revista de finanças Business Insider. Desta vez foi diferente, no entanto. Ele não tinha mais nove anos. Quando ele assumisse a sede da Anderson Logistics na segunda-feira, ele seria o CEO e membro do conselho mais jovem da história da empresa.
Por mais que Liam odiasse aquela ideia e desejasse fazer outra coisa, como filho mais velho e único homem, assumir a operação de bilhões da família tornou-se seu destino no momento em que nasceu.
Todos os três Clarke Liam Andersons antes dele lideraram os negócios de logística da família durante alguns dos colapsos econômicos mais desafiadores. Eles introduziram milhares de inovações para tornar a Anderson Logistics o formidável gigante que é hoje e solidificar seu lugar na indústria. A hora de Liam dar um passo à frente e liderar o grupo finalmente havia chegado.


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