O secretário de Aidan entrou correndo em seu escritório assim que ele chegou na manhã seguinte. "Chefe, o hospital acabou de ligar e disse que a senhora..."
Ele imediatamente olhou para cima e interrompeu com frieza: "Não precisa me contar nada relacionado a ela."
Percebendo o tom de advertência, o secretário obedeceu sem vontade de debater: "Sim, entendido." Então, se virou para sair.
Mas, quando estava prestes a fazer isso, ouviu Aidan jogar a caneta contra a mesa, irritado. "Pera aí, ela não está na prisão? Como o hospital sabe como ela está?"
O secretário se virou novamente e informou: "Mestre, a... a Srta. Harvey tentou se matar ontem à noite."
A expressão de Aidan ficou ainda mais séria com a revelação, e, apesar de tentar ao máximo, ele não conseguiu esconder a preocupação na voz: "Ela... ela morreu?"
"Não, ela foi ressuscitada... O hospital ligou para perguntar o que você gostaria de fazer com ela."
Aidan não conseguiu se conter e soltou um suspiro de alívio ao saber daquilo. Afrouxou a gravata e perguntou monotonamente: "Por que ela fez isso?"
"Os carcereiros relataram que a Srta. Harvey estava tão acostumada com uma vida de luxo que simplesmente não aguentou ficar na prisão, mas ainda não confirmei os detalhes. Se você quiser, chefe, consigo verificar o mais rápido possível..."
O rosto de Aidan endureceu ao pensar no quanto sua mãe havia sofrido. Ele o interrompeu friamente: "Chega, não precisa. Peça para alguém ir avisar aquela mulher que, se ela tentar se matar de novo, o pai e o irmão dela vão pagar por isso."
Uma mulher como ela deveria ficar trancada na cadeia refletindo sobre todos os seus pecados.
"Recebido, Senhor."
...
A mensagem do Aidan foi transmitida a Eliana.
Esse homem não sabia o quanto suas palavras a haviam abalado. Embora ela não tentou mais se matar por medo de envolver o pai e o irmão. Mas, devido à tentativa de suicídio, Eliana foi ainda mais torturada quando voltou para a prisão: Velhas cicatrizes queimavam em sua pele, apenas para serem substituídas por novas a cada dia.
Parecia não ter fim.
Gradualmente, ela ficou indiferente a tudo, não tentava mais resistir ou lutar, simplesmente se deixava ser usada e abusada, à completa e absoluta mercê de seus torturadores.
Eliana continuou vivendo assim pelos dois anos seguintes... Foi completamente esvaziada, a ponto de não conseguir mais se lembrar de como era estar viva.
Seu orgulho e dignidade haviam desaparecido completamente, mas ela resistiu, esperando que seu sofrimento e dor significassem que seu pai e irmão seriam poupados e teriam uma vida pacífica.
...
Finalmente, um dia, a porta da cela foi aberta com tudo e revelou uma figura parada ali.
...
Resignada com seu destino, ela cedeu e entrou na limusine estendida, sentando-se do lado oposto de Aidan, que estava impassível como sempre: nem sequer pestanejou quando ela entrou no veículo.
Ele a analisou em silêncio. Embora sempre tenha sido magra, ela parecia ainda mais frágil e fraca do que o normal, além de ainda mais pálida, como se estivesse doente e desnutrida. Além disso, havia cicatrizes espalhadas por todo o seu rosto. Em resumo, estava tão diferente que ele nunca a teria reconhecido se não soubesse que era ela.
Eliana costumava olhá-lo como se ele tivesse lhe dado as estrelas, mas agora se recusava até mesmo a olhá-lo. Seu olhar era opaco e abatido, sem o menor sinal de vida ou vigor...
Quando o carro começou a se afastar da prisão, ela disparou, perguntando com a voz rouca: "O que você quer comigo?"
Aidan zombou friamente: "Faz dois anos que a gente não se vê, você ficou mais esperta."
Eliana bufou, mas não respondeu nada. Passou mal só de falar com ele.
Então, Aidan ficou furioso com a forma como ela estava agindo. Jogou um documento para ela e exigiu: "É melhor você ler e assinar".
Eliana abriu a pasta e riu assim que percebeu o que havia dentro.
Era um acordo de doação de fígado.

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